Rússia promete reação a possível envio de mísseis de longo alcance dos EUA para a Alemanha
Vice-chanceler Alexander Grushko diz que Moscou critica estratégia europeia de buscar segurança contra a Rússia
247 - A Rússia afirmou que responderá caso os Estados Unidos avancem com a possível instalação de mísseis de longo alcance em território alemão, elevando novamente o nível de tensão militar entre Moscou e o Ocidente. O alerta foi feito pelo vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Grushko, em declaração que reforça a disposição do Kremlin de reagir com medidas equivalentes ou superiores.A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pela agência TASS, com base em entrevista concedida por Grushko ao jornal Izvestia. Segundo o diplomata, qualquer decisão americana de ampliar capacidades militares na Europa será interpretada como um movimento hostil e provocará resposta proporcional por parte da Rússia.
Em sua fala, Grushko afirmou que Moscou não pretende aceitar uma escalada armamentista voltada contra seu território. “Portanto, se optarem por seguir o caminho de desenvolver capacidades militares contra a Rússia, devem entender que criaremos capacidades de resposta igualmente, ou até mais eficazes”, declarou.
O vice-ministro argumentou que o resultado dessa política não será estabilidade, mas um cenário de aumento permanente de risco.
Rússia diz estar aberta a diálogo com Washington
Apesar do tom duro, Grushko indicou que Moscou estaria disposta a discutir o tema diretamente com os Estados Unidos, caso Washington aceite negociar. De acordo com ele, a Rússia nunca teria evitado conversas sobre a questão e aponta que o impasse atual se intensificou após a saída americana do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.
“Nunca tentamos evitar essas discussões, mas quando os americanos se retiraram do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, a primeira coisa que fizemos foi declarar uma moratória sobre o destacamento desses mísseis”, afirmou.
O diplomata reforçou que a Rússia anunciou que não colocaria esses sistemas em operação na Europa enquanto os EUA não tomassem a iniciativa. “Dissemos que não implantaríamos tais sistemas enquanto os sistemas americanos não fossem implantados na Europa. Só isso”, completou.
Críticas à Europa e acusação de chauvinismo
Na entrevista, Grushko também criticou duramente governos europeus, afirmando que a região teria abandonado uma lógica de segurança coletiva para adotar uma estratégia de confronto com Moscou.
“O que mais poderia ser feito? Se fossem políticos responsáveis que realmente se preocupassem com os interesses de segurança de seus países, deveriam ter dito: ‘sim, agiremos dessa forma’”, declarou.
Segundo ele, no entanto, a postura atual é marcada por radicalização política. “No entanto, em suas palavras, o sentimento chauvinista prevalece hoje”, relatou o texto.
Grushko concluiu afirmando que, na visão russa, a Europa tem adotado um caminho perigoso ao tentar estruturar sua defesa como oposição direta ao país. “O que a Europa está fazendo agora é tentar construir segurança contra a Rússia”, enfatizou.


