Saiba o que está acontecendo no 25º dia da guerra dos EUA e Israel contra o Irã
Guerra se intensifica com ataques no Golfo e impasse sobre negociações de paz entre Washington e Teerã
247 - A guerra dos EUA e Israel contra o Irã alcançou o 25º dia nesta terça-feira (24), marcada por intensificação dos combates e divergências públicas sobre possíveis negociações de paz. Enquanto novas ofensivas militares foram registradas em diferentes frentes, também cresceram as tensões no Golfo Pérsico e os impactos no mercado global de energia.
Reportagem da Al Jazeera destaca o cenário de incerteza em meio a declarações contraditórias entre Washington e Teerã sobre a possibilidade de diálogo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que há negociações em curso com o Irã e indicou que um acordo mais amplo poderia ser alcançado. Segundo ele, “o Irã está falando sério”. No entanto, autoridades iranianas rejeitaram categoricamente essa versão, classificando as declarações como “notícias falsas” e uma “grande mentira”. Para Teerã, Washington estaria tentando ganhar tempo enquanto reforça sua presença militar na região.
Além disso, o presidente norte-americano decidiu adiar por cinco dias ataques planejados contra instalações energéticas iranianas, após anteriormente ter dado um ultimato de 48 horas para que o país reabrisse o Estreito de Ormuz. Trump chegou a ameaçar “aniquilar” usinas de energia iranianas caso a exigência não fosse cumprida.
Apesar da pressão internacional e dos impactos econômicos significativos, o Irã manteve sua posição e não reabriu o estreito. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reiterou que a postura do país permanece inalterada.
No campo militar, o conflito segue em escalada. O Irã lançou novos mísseis contra Israel, enquanto países do Golfo, como Kuwait, Arábia Saudita e Bahrein, relataram múltiplas interceptações de drones e projéteis. Apenas na Arábia Saudita, cerca de 20 drones foram abatidos na província oriental, região estratégica para a produção de petróleo.
O clima de tensão também mobilizou atores internacionais. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou ter conversado com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian sobre “a grave situação na região do Golfo” e declarou que seu país pretende desempenhar “um papel construtivo na promoção da paz”. Já o Reino Unido anunciou o envio de sistemas de defesa aérea de curto alcance para o Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca adotou cautela diante das declarações sobre negociações. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que a situação é “fluida” e alertou que “especulações sobre reuniões não devem ser consideradas finais” até confirmação oficial.
O Pentágono, por sua vez, anunciou o fechamento de áreas tradicionais de imprensa em sua sede, após uma decisão judicial que invalidou novas regras de credenciamento de jornalistas impostas pelo governo.
Em Israel, o sistema de defesa aérea apresentou falhas no fim de semana, permitindo que dois mísseis balísticos iranianos atingissem o sul do país, deixando dezenas de feridos. Ainda assim, o Exército afirmou que suas defesas continuam “trabalhando para interceptar a ameaça”.
Outras frentes do conflito também registraram agravamento. Em Beirute, subúrbios do sul foram atingidos por ataques israelenses, após ordens de evacuação. No Iraque, forças dos EUA bombardearam um grupo armado apoiado pelo Irã, enquanto o país é descrito como um campo de batalha secundário entre Washington e aliados de Teerã.
A crise também atinge diretamente o mercado energético global. O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa grande parte do petróleo mundial — tem provocado impactos severos em países asiáticos. A Coreia do Sul, altamente dependente da região, enfrenta dificuldades logísticas e econômicas, enquanto o Japão vê ameaçada a segurança de seu abastecimento, já que cerca de 95% de seu petróleo passa pelo estreito.
O presidente da estatal de energia dos Emirados Árabes Unidos criticou duramente a decisão iraniana, classificando o bloqueio como “terrorismo econômico contra todas as nações”.
Em meio à escalada militar e às disputas narrativas, o cenário permanece incerto, com sinais simultâneos de intensificação do conflito e tentativas de abertura diplomática ainda sem confirmação concreta.


