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Starmer pede desculpas às vítimas de Epstein após escândalo com ex-embaixador britânico nos EUA

Primeiro-ministro admitiu que acreditou em versões de Peter Mandelson sobre relação com criminoso sexual

Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer (Foto: REUTERS/Phil Noble)

247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu desculpas às vítimas de Jeffrey Epstein após o escândalo envolvendo a indicação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos. Epstein foi acusado de uma série de crimes sexuais e morreu em uma prisão estadunidense em 2019, em caso classificado oficialmente como suicídio. Segundo a RFI, a declaração ocorreu na quinta-feira (5), após Starmer reconhecer no Parlamento, na quarta-feira (4), que tinha conhecimento do vínculo entre Mandelson e Epstein antes da nomeação diplomática.

Durante discurso em Hastings, no leste da Inglaterra, o primeiro-ministro pediu desculpas às vítimas de Epstein "por ter acreditado nas mentiras de Mandelson e por tê-lo nomeado". Starmer também afirmou que o ex-embaixador "mentiu várias vezes" sobre a natureza da relação com o financista. Ele declarou ainda que já era conhecido que Mandelson mantinha contato com Epstein, mas que não havia clareza sobre a extensão da relação.

Mandelson deixou cargo e perdeu título de lorde

Peter Mandelson foi nomeado embaixador do Reino Unido em Washington em fevereiro de 2025. Ele deixou o cargo em setembro do mesmo ano após a divulgação de novas informações sobre o caso. Após as revelações, Mandelson perdeu o título de lorde e deixou o Partido Trabalhista. Atualmente, ele é alvo de investigação judicial relacionada a supostas ações durante o exercício de funções públicas.

De acordo com documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Mandelson teria fornecido a Epstein informações confidenciais que poderiam impactar os mercados financeiros quando ocupava o cargo de ministro do Comércio no governo de Gordon Brown.

Primeiro-ministro afirma que pretende permanecer no cargo

Starmer afirmou que pretende permanecer no cargo apesar das pressões políticas. O primeiro-ministro declarou que tem intenção de continuar exercendo a função e disse que o governo deve permanecer focado nos objetivos que levaram à eleição. O primeiro-ministro havia prometido divulgar documentos relacionados à nomeação de Mandelson, mas afirmou na quinta-feira (5) que não faria isso após pedido da polícia para evitar prejuízos às investigações.

Na quarta-feira (4), após debate na Câmara dos Comuns, o governo aceitou enviar documentos sobre a nomeação e destituição de Mandelson para análise de uma comissão parlamentar.

Caso gera críticas às vésperas de eleições

O episódio ocorreu às vésperas de disputas eleitorais no Reino Unido, incluindo uma eleição legislativa regional no noroeste da Inglaterra e eleições locais previstas para os próximos meses. O caso gerou críticas internas no Partido Trabalhista e também da oposição.

O governo informou que seguiu as regras de verificação para a nomeação de Mandelson. Parte da oposição e integrantes do Partido Trabalhista defendem a saída do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney. O ministro da Habitação, Steve Reed, declarou que "o responsável aqui não é o primeiro-ministro nem sua equipe. É Peter Mandelson".

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