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"Temos que dizer a Trump, como Europa: aqui não – e não mais", afirma líder belga

“Quanto mais você o tolera, mais ousado ele se torna”, acrescentou Bart De Wever

Bart de Wever (Foto: Getty Images)

247 – O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao criticar as ameaças e a pressão econômica de Washington sobre países europeus no contexto da Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca. Em declaração feita em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, De Wever afirmou que a Europa precisa estabelecer “linhas vermelhas” e reagir com firmeza diante do que classificou como uma escalada sem precedentes contra aliados.

As declarações foram publicadas pela RT, que relatou que De Wever considerou “inéditas” as ameaças de ação militar contra a Dinamarca e advertiu que a adoção de tarifas contra aliados da OTAN pode ser “potencialmente catastrófica”, intensificando tensões entre os Estados Unidos e a Europa.

Groenlândia vira foco de tensão entre EUA e aliados europeus

Segundo a RT, a crise se intensificou após Trump anunciar tarifas contra oito países europeus membros da OTAN — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — apontados como nações que teriam enviado pequenos contingentes militares para a Groenlândia. A medida, de acordo com o relato, agravou o atrito entre Washington e seus aliados europeus e aprofundou divisões dentro do bloco.

A Groenlândia é descrita como território autônomo sob soberania dinamarquesa e, conforme a reportagem, tornou-se alvo do interesse de Trump para uma eventual anexação pelos EUA. Nesse cenário, a combinação de tarifas e ameaças militares passou a ser interpretada por lideranças europeias como um teste direto à soberania do continente e à própria credibilidade das alianças políticas e militares que sustentam a relação transatlântica.

Líder belga cobra reação da União Europeia e impõe “linhas vermelhas”

Falando à imprensa na terça-feira, à margem do encontro em Davos, De Wever dirigiu críticas agressivas ao presidente norte-americano e afirmou que a Europa deve demarcar limites claros ao que considera uma ultrapassagem de “linhas vermelhas”. A RT destacou a frase em que ele defende uma postura de enfrentamento político:

“Temos que dizer a Trump, como Europa: aqui e não mais. Recuar ou iremos até o fim”, disse De Wever.

O premiê belga também sugeriu que concessões anteriores tendem a incentivar novas investidas, argumentando que a indulgência produziria mais ousadia. A RT reproduziu outra fala direta:

“Quanto mais você o tolera, mais ousado ele se torna”, acrescentou.

Ao apresentar esse raciocínio, De Wever indicou que, em sua avaliação, o tema deixou de ser apenas uma disputa pontual e se transformou em um problema de princípio: a capacidade europeia de proteger soberania, autonomia decisória e integridade de seus compromissos internacionais diante de pressões externas.

Tarifa contra aliados da OTAN e o risco de fratura no “transatlantismo”

De acordo com a RT, De Wever alertou que as ações dos EUA poderiam levar ao “fim do transatlantismo”, expressão associada ao arranjo político, econômico e militar que marcou a relação entre Estados Unidos e Europa por décadas. No relato, o primeiro-ministro tratou ameaças a aliados da OTAN como um possível ponto de ruptura, capaz de corroer confiança interna e ampliar fissuras entre os membros do bloco.

O núcleo do alerta é que, se ameaças e punições econômicas passarem a ser usadas entre parceiros formais de aliança, o custo tende a ser duplo: por um lado, cresce a insegurança política dentro da própria OTAN; por outro, aumenta a pressão sobre a União Europeia para construir respostas institucionais e mecanismos de proteção que reduzam vulnerabilidades.

Davos como palco e reunião com Trump e Mark Rutte

A RT também informou que De Wever teria uma reunião com Trump na quarta-feira, em Davos, ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. O encontro, segundo o relato, é visto como um momento-chave para medir se haverá recuo, endurecimento ou tentativa de reacomodação diplomática diante do impasse.

Ao colocar o tema no centro do Fórum Econômico Mundial, a crise ganha dimensão adicional: em vez de permanecer restrita a bastidores diplomáticos, passa a ser debatida sob holofotes internacionais, com impacto direto sobre expectativas políticas, percepções de risco e confiança entre aliados. Para De Wever, o recado central é que a Europa não pode normalizar intimidações contra sua soberania — sob pena de abrir caminho para uma escalada ainda maior.

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