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Trump ameaça Irã com “morte, fogo e fúria” e ataque “20 vezes mais forte”

O presidente dos EUA cogita reação militar caso o Irã bloqueie o Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo

Daniel Vorcaro (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (9) que poderá intensificar os ataques contra o Irã caso o país asiático tente bloquear o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. A declaração na plataforma Truth Social ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e ao impacto do conflito nos mercados internacionais. O chefe da Casa Branca fez a ameaça após a recente volatilidade no preço do petróleo e as preocupações globais sobre possíveis restrições ao transporte da commodity na região do Golfo.

No último fim de semana marcado por forte instabilidade nos mercados globais, o preço do petróleo chegou a se aproximar de US$ 120 por barril, pressionando bolsas de valores ao redor do mundo diante das incertezas provocadas pela guerra. Depois, novas declarações de Trump sobre uma possível proximidade do fim do conflito contribuíram para reduzir a pressão sobre a commodity. Com isso, o barril voltou a se aproximar da faixa de US$ 90.

“Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, será atingido pelos Estados Unidos da América vinte vezes mais forte do que foi até agora”, escreveu Trump ao fazer novas ameaças ao país asiático. Eliminaremos alvos facilmente destruíveis, o que tornará virtualmente impossível que o Irã volte a se reconstruir, como nação, novamente — Morte, Fogo e Fúria cairão sobre eles — Mas espero, e rezo, para que isso não aconteça!”.

OS EUA iniciaram os ataques contra o Irã no último dia 28 e alega que o país asiático ameaça a estabilidade global porque estaria pretendendo desenvolver bomba nuclear, mas, de acordo com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, inspetores da ONU não encontraram provas de que o governo iraniano esteja conduzindo um programa coordenado para desenvolver armas nucleares.

Irã responde

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que Teerã não permitirá que “um litro de petróleo” seja exportado da região caso os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel continuem. A informação foi divulgada pela mídia estatal iraniana na terça-feira (horário local), com base em declarações do porta-voz da corporação.

O posicionamento ocorreu após Trump afirmar que o conflito no Oriente Médio pode se encerrar em breve, mesmo diante de manifestações de apoio ao novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz está localizado entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico e é considerado uma das rotas mais estratégicas para o abastecimento energético global. Pela passagem marítima circula cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, apontam estatísticas oficiais.

O volume representa aproximadamente 12 milhões a 20 milhões de barris de petróleo por dia. Além da commodity, a região também é utilizada para o transporte de grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL).

Diversos países produtores dependem diretamente da rota para exportar energia. Entre eles estão Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Disputas históricas

A importância do Estreito de Ormuz remonta à Antiguidade. A passagem marítima era utilizada para conectar regiões como Pérsia, Mesopotâmia e Índia ao Oceano Índico.

Entre os séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da área devido ao valor estratégico da rota comercial. No século XX, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou ainda mais a relevância do estreito para a economia global.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a passagem marítima se consolidou como uma via fundamental para o transporte do petróleo produzido no Oriente Médio para outros continentes.

Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980–1988), a região voltou a ser palco de tensão quando petroleiros passaram a ser alvo de ataques. Naquele período, os Estados Unidos iniciaram operações de escolta para embarcações que transitavam pela área.

Desde então, o Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de sensibilidade geopolítica no mundo, devido ao impacto que qualquer instabilidade na região pode provocar nos mercados de energia e na economia global.

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