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Trump chama Lula de “homem bom, cara esperto” após reunião em Washington

Já o governo brasileiro defendeu o desenvolvimento industrial ligado às terras raras e reafirmou a soberania nacional

Lula e Donald Trump (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez elogios a Lula (PT) nesta quinta-feira (7), em Washington, e afirmou que o presidente brasileiro é um "cara esperto". "Eu tive uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Falamos sobre tarifas, eles (governo brasileiro) gostariam de ter um alívio das tarifas. Mas tivemos uma ótima reunião, ele é um homem bom, um cara esperto", disse em coletiva de imprensa. 

A fala marcou um tom amistoso depois de uma agenda que envolveu temas de forte peso econômico e geopolítico. Tarifas e terras raras ocupam lugar central na relação bilateral porque tocam diretamente a soberania brasileira e a capacidade do país de defender setores industriais considerados estratégicos.

Em coletiva de imprensa, Lula destacou que a reunião foi uma importante etapa na relação histórica entre os dois países, e aproveitou para cobrar melhores acordos para o Brasil. O presidente aproveitou para reafirmar a soberania nacional e reforçar que o governo Trump não vai interferir nas eleições brasileiras. O político que representa a extrema direita dos EUA é aliado da família Bolsonaro. 

Política tarifária

Sob Donald Trump, os Estados Unidos demonstram interesse no setor mineral brasileiro e buscam vantagens na área tarifária. A relação comercial entre os dois países entrou em nova fase de tensão desde 2025, quando o atual presidente dos Estados Unidos retomou medidas protecionistas semelhantes às adotadas em seu primeiro mandato.

O novo ciclo de disputas começou com tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio. A medida atingiu diretamente o Brasil, que figura entre os principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.

A demanda brasileira por alívio tarifário entrou na pauta da conversa em Washington. Trump citou o tema ao comentar a reunião e indicou que o governo Lula levou ao encontro a preocupação com os impactos das medidas comerciais norte-americanas.

Além das tarifas, as terras raras também ganharam peso na agenda. Esses minerais colocam o Brasil em posição relevante na disputa tecnológica global, já que o país reúne uma das maiores reservas conhecidas do planeta.

Estatísticas sobre terras raras

Os dados de 2024 do Serviço Geológico dos Estados Unidos, citados pelo Valor Econômico, apontam o Brasil chegou à reunião entre Lula e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, com 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, a segunda maior marca do mundo, atrás da China, com 44 milhões, e à frente da Índia, com 6,9 milhões; em Washington, os dois presidentes trataram de tarifas e minerais estratégicos.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos de alto valor para cadeias produtivas industriais e tecnológicas. A lista inclui lantânio, cério, neodímio, samário, térbio, disprósio, escândio e ítrio, entre outros insumos usados em aplicações de ponta.

Esses elementos sustentam setores ligados à transição energética, semicondutores, eletrônicos avançados e defesa. A indústria utiliza terras raras em turbinas eólicas, veículos híbridos, celulares, televisores de tela plana, lâmpadas fluorescentes compactas, catalisadores automotivos, ímãs permanentes, lentes especiais e sistemas militares guiados.

A corrida por energia limpa, chips, equipamentos digitais e sistemas de defesa ampliou o valor político desses minerais. Reservas antes vistas apenas como ativos geológicos passaram a integrar estratégias nacionais de segurança econômica e influência internacional.

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Gráfico. Foto: Rerpodução (247/IA)

Nesse cenário, o Brasil tenta evitar a função de exportador de matéria-prima sem processamento relevante. O governo busca regras que estimulem investimentos, agregação de valor, pesquisa e desenvolvimento industrial dentro do território nacional.

A aprovação do texto-base do marco regulatório dos minerais críticos na Câmara dos Deputados reforça essa estratégia. O texto inclui as terras raras e oferece instrumentos para o país atrair capital ao setor sem abrir mão de exigências ligadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva.

A distinção entre minerais estratégicos e minerais críticos ajuda a compreender o peso do tema. Os minerais estratégicos sustentam áreas essenciais para o crescimento econômico, a indústria de alta tecnologia, a defesa nacional e a transição energética.

Os minerais críticos concentram preocupação com segurança de abastecimento. A produção em poucos países, a dependência externa, as tensões geopolíticas, os gargalos tecnológicos, as interrupções logísticas e a dificuldade de substituir determinados insumos elevam essa vulnerabilidade.

A classificação muda conforme os interesses de cada país. Um mineral pode ganhar status estratégico em uma economia e receber tratamento diferente em outra. Novas tecnologias, descobertas minerais, mudanças na demanda global e alterações no cenário internacional também influenciam essa definição.

O presidente dos EUA também comentou nas redes sociais o encontro com Lula. Veja a postagem abaixo:

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Post no perfil de Donald Trump. Foto: Reprodução

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