Trump diz que fim das agressões ao Irã virá "quando eu sentir"
“Não acho que vá demorar muito para terminar”, afirmou o presidente dos Estados Unidos em entrevista
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o fim das agressões militares contra o Irã ocorrerá quando ele “sentir” que chegou a hora de encerrar o conflito. A declaração foi dada durante entrevista ao programa de rádio The Brian Kilmeade Show, da Fox News Radio, em meio à continuidade das operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o país do Oriente Médio.
Em entrevista nesta sexta-feira (13), Trump disse acreditar que o conflito pode terminar em breve, embora tenha evitado estabelecer um prazo claro para o encerramento das ações militares. Questionado sobre como saberá que a guerra chegou ao fim, respondeu: “Quando eu sentir, OK, sentir nos meus ossos". Em outro momento da conversa, acrescentou: “Não acho que vá demorar muito para terminar".
As operações militares contra o Irã tiveram início em 28 de fevereiro e, desde então, o governo dos Estados Unidos tem enviado sinais variados sobre a duração da campanha. A ofensiva inclui ataques coordenados com Israel, ampliando a tensão regional e gerando preocupação internacional sobre uma possível escalada do conflito.
Durante a entrevista, Trump também evitou comentar diretamente a possibilidade de ocupar ou atacar a ilha de Kharg, localizada no Golfo Pérsico e considerada vital para a economia iraniana. O território concentra cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país.
Ao ser questionado pelo apresentador Brian Kilmeade sobre a possibilidade de tomar a ilha, o presidente reagiu com irritação: “Brian, não posso responder a uma pergunta dessas. … Você nem deveria estar perguntando isso". Em seguida, acrescentou que a questão “não está no topo da lista”, mas disse que pode mudar de ideia rapidamente.
Trump ainda criticou o questionamento e afirmou que discutir publicamente planos militares não faria sentido. “Vamos dizer que eu fosse fazer isso, ou vamos dizer que eu não fosse. O que você quer que eu diga? ‘Ah, sim, Brian, estou pensando em fazer isso, deixe-me avisar que horas e quando vai acontecer’. É uma pergunta meio tola".
Especialistas ouvidos por analistas internacionais avaliam que uma eventual tentativa de capturar ou atacar a ilha de Kharg exigiria um grande número de tropas terrestres — algo que, até agora, o governo dos Estados Unidos demonstrou relutância em mobilizar.
Na mesma entrevista, Trump sugeriu que a Rússia pode estar ajudando o Irã “um pouco”, ao comentar especulações sobre o apoio de Moscou a Teerã após os ataques realizados pelos Estados Unidos. “Acho que ele pode estar ajudando um pouco, sim, imagino. E ele provavelmente acha que estamos ajudando a Ucrânia, certo?”, afirmou.
O presidente acrescentou que Washington também presta assistência a Kiev e relativizou a situação: “Sim, estamos ajudando [a Ucrânia] também. Então ele diz isso, e a China diria a mesma coisa. Sabe, é como: eles fazem isso e nós fazemos isso".
Reportagem da CNN publicada na semana anterior apontou que a Rússia estaria fornecendo ao Irã informações de inteligência sobre a localização e movimentação de tropas, navios e aeronaves dos Estados Unidos. O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou em coletiva que Rússia e China “não são realmente um fator” na guerra contra o Irã.
Trump também comentou o funcionamento de sua equipe de segurança nacional durante o conflito, indicando que as decisões finais permanecem centralizadas em sua liderança. “Eu deixo que eles falem o que pensam. E falam, e temos algumas diferenças, mas nunca acabam sendo muitas. Eu convenço todos a fazer do meu jeito".
Ao tratar de possíveis ameaças ao território dos Estados Unidos, o presidente afirmou não estar preocupado com relatos de um memorando do FBI que mencionava informações não verificadas sobre um possível ataque iraniano com drones contra o estado da Califórnia. “Eu não me preocupo com isso, porque se você se preocupasse não conseguiria funcionar. Então você não pode se preocupar".
O documento citado pela imprensa foi inicialmente revelado pela ABC News. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, declarou posteriormente que “não há ameaça iminente” relacionada ao caso.
Trump também comentou a situação do novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que teria sido ferido nos primeiros dias da guerra. Segundo o presidente norte-americano, ele acredita que o líder iraniano esteja “machucado, mas provavelmente vivo”.
“Acho que provavelmente está. Acho que está machucado, mas acho que provavelmente está vivo de alguma forma, sim".
Relatos indicam que Khamenei teria sofrido fratura no pé e outros ferimentos leves durante os primeiros ataques da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel. Desde então, ele não apareceu publicamente, embora uma mensagem atribuída a ele tenha sido lida pela mídia estatal iraniana.


