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Trump diz que Irã se compromete a não cobrar pedágio no Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA afirma que Teerã garantiu não exigir taxas de navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio global

Petroleiros iraniianos cruzam Ormuz (Foto: Reuters)
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã comunicou a Washington que não pretende cobrar pedágios, seguros ou qualquer outro tipo de taxa de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do comércio internacional e do transporte global de petróleo, segundo a Al Jazeera.

A declaração foi feita por Trump em sua plataforma Truth Social, em meio a discussões sobre possíveis mudanças nas regras de navegação na região. O tema ganhou peso após sinais de que Teerã poderia adotar novos protocolos para o tráfego marítimo no estreito, o que poderia ter impacto sobre navios comerciais e seguradoras. "As negociações terminariam imediatamente”, escreveu Trump.

Em outra publicação, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã não estaria buscando nem recebendo pagamentos relacionados à passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

“Nenhum pedágio, nenhum custo de seguro e nenhuma outra cobrança de qualquer tipo está sendo buscada ou recebida pelo Irã sobre navios que viajam pelo Estreito de Ormuz”, declarou Trump.

O presidente também negou que Washington tenha liberado recursos diretamente a Teerã. De acordo com ele, parte do dinheiro iraniano sob controle dos Estados Unidos será usada para a compra de alimentos produzidos por agricultores norte-americanos. “Além disso, nenhum dinheiro foi dado ao Irã, ou liberado do dinheiro deles para eles, pelos EUA. Vamos liberar parte do dinheiro deles, que é totalmente controlado por nós, para nossos agricultores e pecuaristas, para a compra de milho, trigo, soja e mais”, afirmou.

Trump disse ainda que os alimentos serão destinados ao Irã, em meio à necessidade de abastecimento no país. “A comida é desesperadamente necessária no Irã e vamos comprá-la para eles exclusivamente dos Estados Unidos”, acrescentou.

Professor diz que Irã busca impor novo protocolo

Apesar da declaração de Trump, o professor Mostafa Khoshcheshm, da Universidade de Ciências Aplicadas de Teerã, afirmou que o Irã dificilmente abandonará, no longo prazo, a intenção de introduzir taxas de serviço no Estreito de Ormuz.

Segundo ele, há um memorando de entendimento que prevê a suspensão da cobrança por 60 dias, período destinado às negociações. Depois disso, Khoshcheshm avalia que Teerã deve avançar com a proposta. “De acordo com o memorando de entendimento, o Irã não vai cobrar taxas de serviço por 60 dias, mas depois disso o Irã definitivamente vai fazer isso”, disse Khoshcheshm à Al Jazeera.

O professor acrescentou que muitos iranianos já demonstram insatisfação com a decisão do governo de abrir mão das taxas durante o intervalo de negociação. Para ele, a questão financeira não é o ponto central da disputa. “O dinheiro não é o verdadeiro núcleo da questão”, afirmou Khoshcheshm. “O ponto aqui é como impor seus novos protocolos na região. Isso é altamente importante para os iranianos".

Estreito de Ormuz tem peso estratégico

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Qualquer alteração nas regras de navegação, cobrança de taxas ou exigência de novos protocolos pode elevar tensões regionais e afetar o comércio global, especialmente em um cenário de negociações sensíveis entre Estados Unidos e Irã.

As declarações de Trump indicam que Washington tenta conter dúvidas sobre eventuais custos adicionais para embarcações que atravessam a região. Já a avaliação feita por Khoshcheshm aponta que, para Teerã, a discussão vai além da arrecadação e envolve a tentativa de estabelecer maior controle sobre os procedimentos de navegação no Estreito de Ormuz.

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