Trump nega divisão interna sobre possível ataque ao Irã e reafirma que pode ir à guerra
Presidente dos Estados Unidos rebate relatos da imprensa e tensão cresce em meio a negociações nucleares mediadas por Omã
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que haja divergências internas em seu governo sobre uma eventual ofensiva militar contra o Irã. A declaração ocorre após veículos da imprensa norte-americana divulgarem que o principal oficial militar do país teria alertado para os riscos de um ataque de grandes proporções contra Teerã.
Segundo a rede HispanTV, Trump utilizou sua plataforma Truth Social para contestar as reportagens que apontavam preocupações do chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, sobre a possibilidade de um conflito prolongado e oneroso. O presidente classificou as informações como “100% imprecisas” e afirmou que Caine não se opõe a uma guerra contra o Irã. Ainda de acordo com Trump, o comandante militar de mais alta patente “só sabe como vencer” e cumprirá qualquer ordem que lhe for dada.
Reportagens do The Washington Post indicaram que o general teria manifestado, em reuniões realizadas na Casa Branca e no Pentágono, apreensão quanto à escassez de munição e à falta de apoio de aliados, fatores que poderiam deixar militares norte-americanos na região em situação vulnerável. Já o The Wall Street Journal noticiou que autoridades do Pentágono temem baixas entre tropas dos Estados Unidos e de países aliados, além do enfraquecimento das defesas aéreas norte-americanas em caso de ataque ao território iraniano.
O site Axios também informou que Caine alertou para o risco de Washington se envolver em um conflito prolongado. Apesar disso, Trump rejeitou publicamente qualquer sinal de divisão interna e reforçou confiança na liderança militar.
Irã reage e fala em “ato de guerra”
Em paralelo, autoridades iranianas elevaram o tom contra qualquer iniciativa militar dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã reiterou que até mesmo um ataque “limitado” seria considerado um ato de guerra.
Durante coletiva de imprensa em Teerã, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, declarou: “Qualquer Estado reagiria com firmeza a um ato de agressão como parte de seu direito inerente à autodefesa”. O governo iraniano prometeu resposta decisiva que poderia atingir bases norte-americanas na região e também Israel.
As advertências ocorrem enquanto Washington e Teerã participam de um processo diplomático voltado à retomada de um acordo nuclear. Até o momento, foram realizadas duas rodadas de negociações indiretas, com mediação de Omã. Após encontro ocorrido em Genebra, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abás Araqchi, afirmou que as partes haviam acordado os “princípios orientadores” das discussões.
Mesmo assim, Trump declarou que considera a possibilidade de um ataque limitado como forma de pressionar o Irã a avançar nas tratativas.
Ameaças e demonstrações de força
No mesmo dia em que as delegações dos dois países conduziam a segunda rodada de diálogos, o líder da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Seyed Ali Jamenei, respondeu às declarações do presidente dos Estados Unidos com uma advertência direta.
“Dizem repetidamente que enviaram um porta-aviões em direção ao Irã. Muito bem, um porta-aviões é, naturalmente, um instrumento perigoso; mas mais perigosa do que o porta-aviões é a arma que pode afundá-lo no fundo do mar”, afirmou Jamenei.
Além das declarações, a República Islâmica iniciou nesta semana um exercício naval de grande escala no Golfo Pérsico e no estratégico estreito de Ormuz. A Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) realizou treinamentos de combate naval com foco em conter uma eventual agressão.
Teerã tem reiterado que prefere a via diplomática, mas sustenta estar plenamente preparada para qualquer cenário. O governo iraniano também advertiu que qualquer agressão, ainda que mínima, poderá desencadear um conflito regional de grandes proporções.


