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União Europeia firma parceria digital com o Brasil para ampliar cooperação tecnológica e reduzir dependência de EUA e China

Acordo coloca o Brasil entre os cinco parceiros digitais estratégicos da UE e prevê ações conjuntas em IA, dados e conectividade

Bandeiras da União Europeia (Foto: REUTERS/Yves Herman)
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247 - A União Europeia (UE) anunciou uma nova Parceria Digital com o Brasil, iniciativa que coloca o país em um grupo restrito de parceiros estratégicos do bloco europeu na área de tecnologia. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo durante a cobertura do Web Summit Rio 2026.

O acordo amplia a cooperação entre Brasília e Bruxelas em áreas consideradas essenciais para a economia digital, incluindo inteligência artificial (IA), governança de dados, infraestrutura digital, conectividade e plataformas online. A iniciativa também ocorre em meio ao esforço europeu para reduzir a dependência tecnológica de grandes potências e fortalecer relações com países considerados confiáveis.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) pela vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, durante participação no Web Summit Rio. Segundo a representante da UE, o Brasil passará a integrar um seleto grupo formado atualmente por Japão, Coreia do Sul, Cingapura e Canadá.

“Este será nosso quinto acordo de parceria digital. Queremos aprofundar a cooperação com parceiros confiáveis, criar melhores oportunidades para empresas dos dois lados e fortalecer nossa colaboração em tecnologias”, afirmou Virkkunen.

A assinatura oficial da parceria está prevista para esta sexta-feira (12), durante visita da comissária europeia a Brasília. Na capital federal, ela deverá se reunir com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do governo federal e representantes de órgãos públicos.

Estratégia de soberania tecnológica

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para fortalecer sua autonomia em setores tecnológicos considerados estratégicos. Recentemente, a Comissão Europeia apresentou um pacote de medidas voltado ao fortalecimento de capacidades próprias em áreas como inteligência artificial, semicondutores, computação em nuvem e infraestrutura digital.

De acordo com Henna Virkkunen, a parceria com o Brasil integra esse movimento de diversificação e fortalecimento de cadeias tecnológicas resilientes.

“Soberania tecnológica não significa isolamento nem protecionismo. Significa ter capacidade própria em áreas críticas e, ao mesmo tempo, trabalhar com parceiros confiáveis”, declarou.

A preocupação europeia está relacionada à elevada concentração de fornecedores estrangeiros em setores digitais. Atualmente, cerca de 80% dos produtos e serviços digitais utilizados na União Europeia são fornecidos por empresas de fora do bloco. No segmento de computação em nuvem, gigantes norte-americanas como Microsoft, Amazon e Google respondem por aproximadamente 70% do mercado europeu.

Além disso, autoridades europeias vêm alertando para a concentração de etapas críticas das cadeias globais de tecnologia em poucos países, especialmente em segmentos como semicondutores e matérias-primas estratégicas, nos quais a China desempenha papel central.

Por que o Brasil foi escolhido

Segundo a comissária europeia, a parceria vai além da harmonização regulatória e deverá abrir caminho para projetos conjuntos, investimentos e iniciativas voltadas à inovação tecnológica.

Entre os temas previstos na cooperação estão segurança cibernética, proteção de menores no ambiente digital, serviços públicos digitais interoperáveis e futuras integrações de soluções de identidade digital e assinaturas eletrônicas.

Virkkunen destacou que a escolha do Brasil está relacionada tanto à dimensão do mercado nacional quanto à convergência de princípios entre o país e a União Europeia em temas ligados à governança digital.

“O Brasil compartilha muitos dos mesmos valores da União Europeia. É um país comprometido com mercados abertos, tecnologias seguras e uma ordem internacional baseada em regras. Além disso, vemos um enorme potencial econômico no mercado digital brasileiro”, afirmou.

O Brasil conta atualmente com cerca de 160 milhões de usuários de internet, fator considerado estratégico para o aprofundamento das relações digitais entre as duas regiões.

Próximos passos da parceria

Após a formalização do acordo, a expectativa é que seja criado um Conselho de Parceria Digital, responsável por acompanhar a implementação das ações previstas e definir prioridades para os próximos anos. A primeira reunião do órgão deverá ocorrer em Bruxelas, em 2027.

Embora os detalhes sobre investimentos ainda não tenham sido divulgados, a Comissão Europeia sinaliza que a participação do setor privado será uma das etapas centrais da iniciativa.

Durante sua passagem pelo Brasil, Henna Virkkunen também participa de encontros com representantes de empresas europeias de telecomunicações que atuam no país. O objetivo é discutir oportunidades de negócios, identificar barreiras regulatórias e ampliar a cooperação econômica entre os dois lados do Atlântico em setores considerados estratégicos para a transformação digital.

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