Zelensky diz que Rússia vai "ocupar" a Europa; Trump não vê ameaça à Otan
Na avaliação do presidente ucraniano, Vladimir Putin está aguardando o "enfraquecimento" da aliança militar para iniciar as supostas invasões
247 - O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (16) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pretende lançar uma "invasão" contra países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Na avaliação do dirigente, o líder russo está apenas aguardando o "enfraquecimento" da aliança militar, liderada pelos Estados Unidos.
Em entrevista à NBC News, Zelensky afirmou que, se os EUA deixarem a OTAN, a Rússia "ocupará" a Europa. "Os Estados Unidos não retirarão suas forças e contingentes da Europa, pois isso enfraqueceria gravemente a OTAN no continente europeu", disse.
"Putin definitivamente conta com isso. Sabemos com certeza que ele está preparando operações no território da Bielorrússia este ano. Isso pode acontecer no verão, talvez no início, talvez no fim do verão. Não sei quando ele está planejando, mas isso vai acontecer", acrescentou.
De acordo com o presidente ucraniano, "há riscos de que isso possa atingir a Polônia e a Lituânia, porque acreditamos que Putin fará guerra contra a OTAN". Os dois países mencionados pelo presidente ucraniano integram a aliança e fazem fronteira com a Bielorrússia, aliada da Rússia.
Pelo Artigo 5 do tratado da OTAN, se um aliado da organização for vítima de um ataque armado, todos os outros membros vão considerar o ato como um ataque contra toda a aliança e podem implementar as alternativas necessárias para ajudar o país atacado.
EUA e o contexto da guerra
O governo do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), deu sinais de que não vê a Otan como alvos de ameaças. Em declarações a repórteres, o chefe da Casa Branca rejeitou relatos de que a Rússia representa uma ameaça à OTAN.
"Não concordo, nem um pouco", argumentou em entrevista a repórteres. Ele também disse que viu uma disposição do lado russo em resolver o conflito ucraniano rapidamente.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou na última quarta-feira (12) que "retornar às fronteiras da Ucrânia anteriores a 2014 é um objetivo irrealista". De acordo com o dirigente, "não haverá tropas americanas enviadas à Ucrânia".
A Rússia lançou a “Operação Militar Especial” na Ucrânia em fevereiro de 2022. As autoridades russas afirmam que a ofensiva tem como objetivo proteger a população russa submetida a genocídio pelo regime de Kiev. Moscou declara que é necessário remover forças militares e elementos neonazistas da Ucrânia para alcançar esses objetivos.
As autoridades da Ucrânia negam associações ao nazismo, afirmando que a política do país é completamente livre de fascistas. Kiev argumenta que a invasão russa é uma guerra de agressão e de expansão imperialista.
A Rússia anexou quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas em outubro de 2022. Em agosto de 2024, a Ucrânia invadiu o território russo e iniciou uma ocupação limitada. Diversos países, especialmente da Otan (Aliança do Tratado do Atlântico Norte), forneceram assistência militar e financeira para a Ucrânia e implementaram sanções contra a Rússia. Irã e Coreia do Norte auxiliaram em diferentes níveis as Forças Armadas da Rússia.
Em maio de 2024, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, em conjunto com a China, uma proposta para negociações com o objetivo de promover uma solução diplomática da crise ucraniana. Os conflitos continuam e outros países participam das negociações para um cessar-fogo.


