Ações da Copasa avançam após JPMorgan elevar recomendação e ver privatização em 2026
Banco vê privatização em 2026, revisa premissas e projeta retorno de até 30% no cenário-base
247 - As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) fecharam em alta após o JPMorgan promover uma dupla elevação na recomendação dos papéis, mesmo depois de uma valorização expressiva acumulada ao longo do último ano. O movimento do banco norte-americano reposicionou a estatal mineira no radar de investidores, ao apontar mudanças relevantes no cenário regulatório e político que sustentam uma nova tese de investimento.
A instituição financeira alterou sua recomendação para a Copasa de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra). No pregão analisado, os papéis da companhia encerraram com alta de 2,40%, cotados a R$ 52,38, ainda abaixo das máximas históricas, apesar de um avanço de cerca de 125% nos últimos 12 meses.
A revisão do banco se apoia em duas mudanças centrais de premissas. A primeira é a expectativa de privatização da companhia, que antes era considerada distante e agora passou a ser projetada para o primeiro semestre de 2026. A segunda está relacionada à avaliação de que o valor de mercado da Copasa ainda não incorpora totalmente potenciais avanços regulatórios e operacionais, capazes de atrair aproximadamente R$ 10 bilhões em capital, montante considerado necessário para viabilizar o processo.
No cenário-base traçado pelo JPMorgan, o retorno total estimado é próximo de 30%, com taxa interna de retorno real de 10,4% e duração do fluxo de caixa de 13,4 anos. Essa projeção considera uma nova tese construtiva, segundo a qual a Copasa poderia ser negociada a múltiplos de 1,9 vez e 1,7 vez o EV/RAB (valor da firma sobre a base regulatória de ativos) em 2026 e 2027, respectivamente. A avaliação leva em conta retornos sobre o capital investido acima do custo de capital e crescimento contínuo da base regulatória de ativos.
Em um cenário mais otimista, o banco aponta um potencial de valorização que pode chegar a 90%. Esse desempenho estaria associado à privatização combinada com um corte de custos de 50%, retornos regulatórios alinhados à última revisão tarifária, estimados em 9,8% reais após impostos, redução do custo de capital e maior crescimento de volume. Já no cenário negativo, a projeção indica uma possível queda de até 40%, caso a privatização não avance e não haja redução relevante de despesas.
A avaliação indica que a probabilidade de um cenário adverso diminuiu recentemente, diante da aceleração das etapas do processo de privatização e de uma revisão tarifária considerada melhor do que o esperado. Esses fatores alteraram de forma significativa o balanço de riscos associado à companhia.
No campo regulatório, o governo de Minas Gerais negocia a prorrogação das concessões com os municípios atendidos pela Copasa. A expectativa é de que os novos contratos adotem termos semelhantes aos utilizados na privatização da Sabesp, com foco em incentivar investimentos e ganhos de eficiência. Esses ajustes se somam à revisão tarifária concluída em dezembro de 2025, que estabeleceu um custo médio ponderado de capital regulatório de 9,8% reais após impostos, acima do observado em empresas comparáveis, além do reconhecimento anual de investimentos na base regulatória e da manutenção do benefício fiscal dos juros sobre capital próprio.
No cenário-base, considera-se ainda a criação de um mecanismo de compartilhamento de ganhos de eficiência com os consumidores. A proposta prevê o repasse de 25% das economias a partir de 2030, percentual que subiria para 50% entre 2035 e 2039, 75% entre 2040 e 2044 e 90% no longo prazo.
O avanço político também é apontado como um fator determinante para a nova avaliação. Desde outubro de 2025, o governo mineiro conseguiu aprovar mudanças constitucionais e um projeto de privatização, além de conduzir uma revisão tarifária favorável e iniciar negociações para estender concessões municipais. Esses contratos devem incorporar mecanismos regulatórios que permitam a retenção de parte dos ganhos obtidos com cortes de custos, sustentando o potencial de valorização para um futuro operador.
Os termos do modelo de privatização já divulgados pela Copasa preveem uma oferta secundária de até 45% do capital da companhia. Desse total, 30% seriam destinados a um investidor estratégico, sujeito a um período de lock-up com bloqueio integral das ações por quatro anos e liberação parcial até 2033 ou até a universalização dos serviços. Os 15% restantes seriam ofertados a investidores institucionais, participação que pode chegar a até 50% caso não haja um acionista estratégico. O modelo estabelece ainda um limite de 45% dos direitos de voto para qualquer acionista.

