Alta nos combustíveis avança em refinarias privatizadas no Amazonas, Bahia e Rio Grande do Norte
Estados com unidades vendidas nos últimos anos registram aumentos na gasolina e no diesel, enquanto refinarias da Petrobras mantêm valores estáveis
247 - Reajustes recentes nos preços dos combustíveis foram registrados em estados que tiveram refinarias privatizadas nos últimos anos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram aumentos em unidades localizadas no Amazonas, na Bahia e no Rio Grande do Norte, em contraste com os valores praticados nas refinarias operadas pela Petrobras, que permaneceram estáveis no período analisado.
No Amazonas, os efeitos foram percebidos diretamente nas bombas dos postos em Manaus. O litro da gasolina chegou a aproximadamente R$ 7,30, após um aumento médio de cerca de R$ 0,30 de um dia para o outro. O dado chama atenção porque o estado está próximo da produção petrolífera de Urucu, mas ainda assim apresenta um dos preços mais elevados do país.
O movimento acompanha os reajustes realizados na Refinaria da Amazônia (Ream), antiga refinaria Isaac Sabbá, privatizada em dezembro de 2022. Na unidade, o preço da gasolina passou de R$ 2,90 para R$ 3,47 por litro, enquanto o diesel registrou elevação de R$ 3,78 para R$ 5,10.
Na Bahia, também foram registrados aumentos na refinaria operada pela Acelen, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), privatizada em 2021. O litro da gasolina passou de R$ 2,56 para R$ 2,86, enquanto o diesel subiu de R$ 3,31 para R$ 4,21.
Situação semelhante foi observada no Rio Grande do Norte, na refinaria Clara Camarão, vendida em 2022 e atualmente administrada pela empresa Brava. Na unidade, o preço da gasolina avançou de R$ 2,59 para R$ 2,89 por litro.
Enquanto essas refinarias registraram aumentos, os preços praticados nas unidades operadas pela Petrobras permaneceram sem alteração no mesmo período. Segundo os dados analisados, a gasolina foi mantida em R$ 2,59 por litro, o diesel em R$ 3,80, e o botijão de gás de cozinha em R$ 34,68.
Debate sobre importações de combustíveis
O cenário também provocou reação de entidades do setor. Na quarta-feira (11), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou declarações da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) sobre a possibilidade de suspensão das importações de gasolina e diesel caso a Petrobras não eleve os preços no mercado interno.
Segundo a federação, a eventual interrupção das importações poderia pressionar o mercado por meio da redução da oferta de combustíveis. A entidade avalia que esse tipo de estratégia pode caracterizar prática anticoncorrencial.
De acordo com a FUP, dependendo das circunstâncias, a medida pode violar a Lei de Defesa da Concorrência (12.529/2011) e a Lei 8.137/1990, que proíbe a restrição da oferta de produtos com o objetivo de provocar aumento artificial de preços.


