Caixa negocia compra de carteiras do BRB após crise com Banco Master
Banco federal avalia alternativas após crise envolvendo ativos do Banco Master e necessidade de reforço de capital no banco do DF
247 - A Caixa Econômica Federal iniciou negociações para adquirir carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB), em meio à crise provocada pela exposição da instituição a ativos do Banco Master.
A discussão sobre uma eventual federalização do BRB é considerada “prematura” por pessoas que acompanham o tema. No momento, a alternativa concreta em análise é a compra, pela Caixa, de carteiras originadas pelo próprio BRB, medida que poderia reforçar a liquidez do banco distrital.
O BRB enfrenta dificuldades após a necessidade de provisionar ao menos R$ 5 bilhões em razão de perdas esperadas relacionadas a ativos do Banco Master. A instituição havia adquirido R$ 12,2 bilhões em créditos posteriormente considerados falsos e, embora tenha conseguido substituí-los por outros ativos do Master, a qualidade desses papéis é considerada duvidosa. As estimativas apontam para perdas entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.
Em setembro de 2025, último dado disponível, o patrimônio líquido de referência do BRB era de R$ 4,289 bilhões. Com a obrigação de provisionar pelo menos R$ 5 bilhões, o banco passou a operar, na prática, com patrimônio negativo.
Além da possível aquisição de carteiras, a cúpula da Caixa não descarta ampliar as tratativas para outras frentes. Uma das alternativas em discussão é a participação do banco federal em um consórcio destinado a viabilizar um empréstimo ao governo do Distrito Federal, controlador do BRB. O objetivo seria permitir que o governo local realize um aporte de capital na instituição.
De acordo com pessoas próximas às negociações, as conversas sobre esse empréstimo ainda estão em estágio inicial. A avaliação é de que essa solução seria menos extrema sob a ótica do Sistema Financeiro Nacional (SFN), quando comparada a outras medidas estruturais.
O Banco Central poderá adotar medidas prudenciais preventivas caso o governo do Distrito Federal não efetive o aporte até segunda-feira (31), prazo final para a divulgação do balanço do BRB. A capitalização é considerada essencial para recompor os indicadores da instituição.
Na sexta-feira (20), o governo distrital encaminhou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto de lei com medidas voltadas à capitalização do banco. Entre as propostas está a utilização de 12 imóveis públicos como garantia para a operação de crédito. Interlocutores apontam que a aprovação do projeto é etapa necessária, mas não suficiente, já que o empréstimo ainda depende de negociação com bancos e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Até o momento, nenhuma proposta formal foi apresentada ao FGC ou às instituições financeiras potencialmente envolvidas na operação. Os termos finais dependerão da precificação dos ativos e da avaliação de riscos jurídicos associados à transação.


