Copasa aprova "golden share" para privatização
Assembleia autoriza mudanças no estatuto e cria ação especial do Estado antes de oferta bilionária na B3
247 - A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aprovou, em assembleia geral extraordinária realizada na segunda-feira (23), um conjunto de mudanças societárias que antecedem o processo de privatização da empresa, previsto para ocorrer entre abril e maio. Entre as principais deliberações está a criação de uma ação preferencial de classe especial, conhecida como golden share, que permanecerá sob controle exclusivo do Estado de Minas Gerais.
Segundo a ata da reunião, a ação especial concederá ao Estado poder de veto em temas específicos, mas “não terá direito a voto e não conferirá qualquer direito econômico ou patrimonial diferenciado ou mais privilegiado ao Estado de Minas Gerais em relação aos demais acionistas”.
A adoção da golden share segue modelo semelhante ao utilizado em outras privatizações recentes, como as da Sabesp, da Axia (ex-Eletrobras) e da Copel. Na mesma assembleia, os acionistas aprovaram a reformulação integral do estatuto social da companhia, com ajustes voltados à futura condição de empresa privada.
Entre as alterações aprovadas estão mudanças nas regras de governança corporativa, a criação de mecanismos para evitar a dispersão excessiva do capital acionário, a inclusão de compromissos relacionados à resiliência hídrica e a adequação às exigências da legislação estadual. O novo estatuto também estabelece que qualquer acionista ou grupo de acionistas poderá exercer voto limitado a 45% do capital votante, independentemente da participação detida, medida destinada a impedir a concentração de poder após a desestatização.
As deliberações foram aprovadas pela maioria dos votos presentes, com acionistas que representavam 76,51% do capital votante. A BNDESPar registrou abstenção nas votações.
De acordo com a companhia, todas as mudanças somente entrarão em vigor após a liquidação da oferta de privatização conduzida pelo governo mineiro. Essa etapa é considerada essencial para a transição da Copasa para uma estrutura acionária mais pulverizada e alinhada às regras do Novo Mercado da B3.
Modelo da operação
O plano de privatização prevê uma oferta subsequente de ações (follow-on), formato semelhante ao adotado pela Sabesp em 2024. A modelagem também contempla a entrada de um investidor estratégico, que poderá adquirir até 30% do capital da companhia.
Caso a operação seja concluída nos moldes previstos, o governo de Minas Gerais, atualmente detentor de 51% da Copasa, terá sua participação reduzida para cerca de 5%. A transação pode se tornar a maior da B3 em 2026, com estimativa de movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.
Entre os grupos apontados como potenciais interessados na posição de investidor estratégico estão Aegea, Kinea, Perfin e Suez. A Águas do Brasil também é citada como possível concorrente, após estruturar uma engenharia financeira para disputar a operação.
A oferta marca uma etapa decisiva no processo de desestatização da companhia mineira, que busca consolidar um novo modelo de governança e ampliar a base de investidores no mercado de capitais.

