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Correios renegociam dívidas e economizam R$ 321 milhões

Plano de reestruturação da estatal avança com renegociação de débitos, venda de imóveis e PDV para enfrentar crise financeira e melhorar liquidez

Os trabalhadores dos Correios querem a suspensão de qualquer medida que afete a qualidade dos serviços ou os direitos dos empregados (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

247 - A direção dos Correios avalia como positivos os primeiros resultados do plano de reestruturação da estatal, que busca reequilibrar as finanças após um período de forte deterioração econômica. Entre janeiro e sexta-feira (13), a empresa afirma ter economizado R$ 321 milhões ao renegociar 98,2% das dívidas com fornecedores e prestadores de serviços, estratégia que tem contribuído para aliviar o caixa e preservar a liquidez.

Os acordos firmados com credores incluem a renúncia a multas e juros, além da possibilidade de parcelamento nominal dos pagamentos, sem acréscimo de correção monetária em parte dos casos.

A renegociação tornou-se possível após os Correios obterem R$ 12 bilhões em financiamento junto a um consórcio de bancos, operação garantida pela União e firmada no final de 2025. Os recursos têm servido como base para reorganizar as obrigações financeiras da companhia.

Crise histórica e perspectiva de recuperação

A estatal enfrenta um processo de recuperação após registrar a maior crise de sua história recente. Entre janeiro e setembro de 2025, o prejuízo somou R$ 6,057 bilhões. Para 2026, a previsão do governo ainda é de um déficit primário de R$ 9,101 bilhões, o que indica que a reversão do quadro financeiro deve ocorrer apenas em 2027, segundo estimativas internas.

Além da renegociação com fornecedores, os Correios também conseguiram parcelar cerca de R$ 1,2 bilhão em precatórios e impostos. Embora esses valores continuem sendo devidos, o alongamento dos prazos reduz a pressão imediata sobre o caixa.

Venda de imóveis para reforçar o caixa

Outra frente da reestruturação envolve a venda de ativos imobiliários. A empresa planeja realizar ainda em março um leilão de prédios que pode movimentar cerca de R$ 600 milhões em ofertas. A expectativa é que entre 20% e 40% dos imóveis sejam vendidos, gerando até R$ 120 milhões em receitas no curto prazo.

O plano mais amplo prevê a alienação de até R$ 1,5 bilhão em imóveis pertencentes à estatal, especialmente em cidades médias e grandes.

PDV e fechamento de unidades

O programa de reestruturação inclui também um Plano de Demissão Voluntária (PDV) voltado para até 10 mil empregados. Até agora, cerca de 500 funcionários já deixaram a empresa, e a expectativa é que mais mil desligamentos ocorram até segunda-feira (16).

A companhia também iniciou o fechamento de unidades físicas. Até o momento, 127 pontos foram encerrados, de uma meta total de mil unidades.

Ajustes internos e eficiência operacional

Internamente, a direção da estatal afirma lidar com três dimensões políticas distintas: a relação com o governo federal, o diálogo com os trabalhadores e a percepção da sociedade sobre a empresa.

Mesmo com apoio do Executivo, a administração reconhece dificuldades para convencer parte dos funcionários de que a reestruturação é um processo necessário para garantir a sobrevivência financeira da companhia.

Uma das medidas adotadas foi a revisão do plano de saúde dos empregados, o Postal Saúde, que gerou economia de cerca de R$ 70 milhões apenas em janeiro. A expectativa é que as economias totais ao longo de 2026 fiquem entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.

Indicadores operacionais também mostram melhora. Dados internos apontam que a taxa de entregas dentro do prazo prometido subiu de 65% para 91% em 2026. A meta da empresa, contudo, é alcançar 97%, patamar considerado necessário para ampliar receitas.

Para tentar elevar a qualidade do serviço, os Correios realizaram processo seletivo para superintendentes e passaram a impor metas de economia às unidades, que podem alcançar R$ 1 bilhão por ano.

A empresa também estuda criar formas de recompensar funcionários pelo cumprimento de metas, embora a atual limitação de caixa dificulte a concessão de incentivos financeiros diretos. Como alternativa, o desempenho tem sido considerado para acelerar a progressão de carreira dos trabalhadores.

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