Haddad diz que ideia de privatização dos Correios não segue tendência global
Ministro diz que melhores práticas globais apontam para ampliação de serviços, não para venda da estatal
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a privatização dos Correios não corresponde ao caminho adotado pelas melhores práticas internacionais no setor postal. Ao comentar o tema, ele destacou que a experiência observada em outros países aponta para a diversificação de serviços como forma de garantir a viabilidade econômica das empresas públicas do ramo.
A declaração foi feita em entrevista à Rádio BandNews FM, na qual Haddad avaliou que a universalização dos serviços postais impõe custos elevados à estatal brasileira. Segundo o ministro, historicamente, essas despesas eram compensadas por atividades exclusivas dos Correios, que deixaram de existir ao longo do tempo.
“Quem arca com a universalização dos serviços postais é a companhia dos Correios. E isso tem um custo alto por ano que era compensado por alguma atividades que eram exclusivas dos Correios e deixaram de ser. Então, a privatização, olhando para o mundo inclusive Estados Unidos e Europa, não parece o caminho que está sendo seguido pelas melhores práticas”, afirmou o ministro.
Haddad também mencionou o plano apresentado pela atual diretoria da empresa estatal, que prevê uma reestruturação interna financiada por um empréstimo bilionário com garantia da União. A expectativa, segundo ele, é que a medida permita reorganizar o modelo de negócios e restabelecer o equilíbrio financeiro da companhia.
“A promessa da atual diretoria, com o empréstimo que foi feito é de, com esse dinheiro, é reestruturar a companhia nessa direção e torná-la equilibrada assim que essas providências forem tomadas”, declarou.
Durante a entrevista, Haddad ainda foi questionado sobre a percepção de que comandar o Ministério da Fazenda seria o “pior emprego do mundo”. Ele rejeitou essa avaliação e afirmou que a experiência foi enriquecedora do ponto de vista profissional. O ministro ressaltou que deixará o cargo com resultados econômicos que, segundo ele, não eram esperados por analistas do mercado financeiro.


