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Joesley prevê abertura do setor de petróleo venezuelano após encontro com Delcy

Empresário avaliou que Delcy Rodríguez está disposta a atrair investimentos e manter compromissos com os EUA; Fluxus estuda oportunidades no país

Joesley Batista (Foto: Paulo Vitale)

247 – O empresário Joesley Batista, do grupo J&F, se reuniu com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na sexta-feira (9), em uma agenda que incluiu encontros antes e depois de conversas com autoridades norte-americanas nos Estados Unidos. Após o encontro, Joesley avaliou que Delcy “parece estar pronta para abrir o setor de petróleo e gás do país para investimentos”, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com o assunto.

A informação foi publicada pela agência Reuters e repercutida pela Folha. Segundo a fonte, a percepção do empresário é de que a sucessora de Nicolás Maduro busca reordenar o setor energético, atrair capital e sinalizar disposição para manter compromissos com Washington.

Fluxus mira oportunidades na Venezuela

De acordo com a Reuters, a Fluxus, empresa de energia da família Batista, tem se consolidado na América do Sul desde que foi adquirida em 2023 e está avaliando oportunidades de negócios na Venezuela. Procuradas, a Fluxus e a J&F, holding dos Batista, não quiseram comentar.

A movimentação ocorre enquanto Joesley amplia seu trânsito político e empresarial. A agência afirma que o movimento revela acesso do empresário a Washington e a capitais das Américas, num momento em que a reconfiguração do mercado de energia venezuelano pode ter impacto regional.

Articulação com Washington e aceno a compromissos

Segundo a Reuters, Joesley se encontrou nos EUA com autoridades norte-americanas e, em seguida, viajou de Washington para Caracas em avião particular para se reunir com Delcy. A avaliação que ele teria obtido em Caracas foi levada depois novamente a Washington, quando retornou aos Estados Unidos para transmitir as informações às autoridades do país.

Ainda conforme o relato, a dirigente venezuelana teria demonstrado disposição para abrir o setor e, ao mesmo tempo, manter compromissos com os Estados Unidos, sinalizando uma tentativa de reorganizar a política energética do país sob novo comando.

Relação com Trump e efeitos sobre Brasil

A Reuters recorda que o empresário se reuniu com Donald Trump em setembro e que, segundo a agência, esse encontro ajudou a descongelar as relações dos EUA com Brasília. Semanas depois, Trump disse que teve “excelente química” com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em reunião na Assembleia Geral da ONU e, pouco depois, retirou tarifas norte-americanas sobre muitos produtos brasileiros, incluindo carne bovina e café.

Antecedentes em Caracas e mudança no comando venezuelano

A Reuters também relata que, em novembro do ano passado, Joesley já havia visitado Caracas e encontrado Nicolás Maduro, conforme duas pessoas familiarizadas com o assunto. O líder do regime venezuelano, diz a agência, foi detido em uma operação militar dos EUA neste mês para ser julgado por acusações de tráfico de drogas.

Agora, de acordo com a fonte citada, Joesley teria percebido em Caracas que Delcy, apresentada como sucessora de Maduro, estaria inclinada a abrir o setor de energia a investimentos e a sustentar compromissos com Washington — uma combinação que pode redesenhar a posição da Venezuela no mercado regional de petróleo e gás.

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