Mercado imobiliário registra recordes em 2025 com impulso do Minha Casa, Minha Vida
Setor atinge faturamento histórico, com destaque para habitação popular e imóveis de alto padrão
247 - O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e pelo crescimento do segmento de alto padrão. Incorporadoras listadas na Bolsa somaram mais de R$ 55 bilhões em receita líquida, avanço de cerca de 20% em relação ao ano anterior, refletindo a forte demanda por habitação em diferentes faixas de renda.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o desempenho do setor foi marcado por recordes de faturamento, expansão de projetos bilionários e adaptação das empresas a um cenário de juros elevados, que impactou especialmente o segmento de média renda.
O programa habitacional do governo federal teve papel central na expansão do setor, sobretudo nas faixas de menor renda. A criação da Faixa 4, voltada para famílias com renda mensal entre R$ 9,6 mil e R$ 13 mil, ampliou o acesso ao crédito imobiliário, com juros mais baixos e prazos mais longos para imóveis de até R$ 600 mil. Esse movimento fortaleceu incorporadoras com forte atuação no programa.
A Cury, por exemplo, registrou o melhor resultado de sua história, com lucro líquido de R$ 975,5 milhões. Segundo o co-CEO Leonardo Mesquita, “observamos um crescimento expressivo em nossos lançamentos, que totalizaram R$ 8,3 bilhões em VGV (valor geral de vendas), e nas vendas líquidas, que alcançaram R$ 7,8 bilhões”. A empresa também ampliou seu banco de terrenos e manteve forte ritmo de produção.
Outras companhias voltadas ao segmento econômico seguiram a mesma trajetória. A Plano&Plano atingiu lucro recorde de R$ 361,5 milhões, com mais de 17 mil unidades lançadas. O vice-presidente João Hopp destacou que “novas ferramentas que auxiliam na jornada de compra do imóvel estão sendo implementadas, melhorando a experiência do cliente, visando maior conversão”.
Já a Tenda registrou lucro líquido consolidado de R$ 505,7 milhões, crescimento expressivo em relação ao ano anterior. Para o CFO Luiz Maurício Garcia, “o MCMV é um pilar estrutural do nosso negócio e teve papel central no desempenho de 2025”. Ele acrescentou que a previsibilidade do programa e a demanda por habitação sustentaram o crescimento da companhia.
No segmento de alto padrão, o desempenho também foi relevante, embora represente uma fatia menor do mercado. A Cyrela, especializada nesse nicho, alcançou receita líquida de R$ 9,4 bilhões, com crescimento superior a 18%. Segundo análise do setor, compradores desse perfil são menos sensíveis às condições de financiamento, priorizando qualidade e localização dos empreendimentos.
Empresas como Moura Dubeux e JHSF também registraram resultados expressivos. A Moura Dubeux teve lucro líquido recorde de R$ 420 milhões, enquanto a JHSF avançou na estratégia de se tornar uma gestora de ativos, com a venda de R$ 5,2 bilhões em estoque imobiliário para um fundo. O CEO Augusto Martins afirmou que “a conclusão da venda desses ativos nos permitiu fortalecer a estrutura de capital, tornar o balanço mais leve, aumentar a previsibilidade dos resultados e elevar a eficiência de capital”.
Apesar do cenário positivo, o setor enfrenta desafios. A alta dos juros continua pressionando a classe média, considerada o segmento mais sensível às condições de crédito. Segundo o analista Ygor Altero, “a classe média continua sendo o maior desafio, pois as empresas desse nicho enfrentam dificuldades para ganhar volume e repassar preços em um mercado sensível ao bolso do consumidor”.
Diante desse contexto, incorporadoras têm ajustado suas estratégias, ampliando a atuação no segmento econômico ou diversificando portfólios. Algumas companhias também passaram por reestruturações para melhorar a eficiência operacional e reduzir endividamento.


