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Mercado Livre investerá R$ 57 bilhões no Brasil em 2026 com novos centros logísticos

Empresa prevê criar 10 mil novos empregos no país

Centro logístico do Mercado Livre (Foto: Divulgação/REUTERS)

247 - O Mercado Livre anunciou nesta terça-feira (24) um plano de expansão no Brasil que prevê investimentos de R$ 57 bilhões ao longo de 2026. O valor inclui aportes e despesas operacionais e representa um crescimento de 50% em relação a 2025, quando os desembolsos totalizaram R$ 38 bilhões.

Segundo informações do Valor Econômico, a estratégia da companhia envolve o fortalecimento da estrutura logística e a ampliação de serviços financeiros, com foco na consolidação de sua presença no mercado brasileiro.

Entre as principais iniciativas está a abertura de 14 novos centros de distribuição ainda em 2026. Com isso, o total de unidades deve alcançar 42 até o fim do ano, ampliando em 50% a rede existente. Os centros operam no modelo “fulfillment”, em que a empresa realiza o armazenamento, a separação e a entrega de produtos vendidos por lojistas na plataforma.

A expansão reforça a liderança do Mercado Livre em capacidade de armazenagem no país, superando concorrentes como Amazon, Shopee e Magazine Luiza. A estratégia, no entanto, ocorre em meio a questionamentos sobre os impactos nas margens operacionais.

Apesar disso, a empresa sustenta a manutenção do ritmo de investimentos. “Continuamos investindo olhando o longo prazo e não a rentabilidade do curto prazo”, afirmou Fernando Yunes, vice-presidente executivo de comércio eletrônico do Mercado Livre na América Latina.

O executivo destacou o potencial de crescimento do comércio eletrônico no Brasil. “Mesmo com a frequência de compras por usuário tendo crescido no Brasil, ela ainda é baixa frente a outros locais e há potencial enorme. No país, a penetração do on-line é de 16%, nos EUA, 25%, e na China, 32%. A iniciativa fortalece nossa posição, gera volume, escala, dilui custos e gera eficiência”, disse.

Yunes também ressaltou que as decisões da companhia seguem critérios técnicos rigorosos. “Pode não parecer, para quem olha, mas todas as decisões são racionais, temos gente altamente analítica e técnica nisso”, declarou.

No campo operacional, o Mercado Livre promoveu ajustes em sua política de custos. Em fevereiro, comunicou aos vendedores mudanças nas tarifas de serviços, incluindo a adoção de um modelo de cálculo variável no sistema de envios “full”. A nova metodologia passou a considerar peso, dimensões e valor dos produtos em entregas de até R$ 79.

No segmento financeiro, a empresa pretende expandir o Mercado Pago, com ampliação da oferta de crédito para consumidores e empreendedores. A iniciativa busca diversificar receitas e reforçar a atuação no setor.

No mercado internacional, a companhia enfrenta volatilidade. As ações acumulam queda de 18% na Nasdaq em 2026 e recuaram 16% desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre. Parte desse movimento está associada ao aumento de gastos com frete grátis, vendas diretas, crédito e investimentos em mercados menores.

Os dados financeiros refletem essa dinâmica. A receita líquida somada aos resultados financeiros alcançou US$ 15,2 bilhões, enquanto as despesas operacionais chegaram a US$ 13,1 bilhões, crescendo em ritmo superior ao das receitas.

O plano de expansão inclui ainda a criação de 10 mil novos postos de trabalho nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, elevando o total de funcionários no Brasil para cerca de 70 mil até o fim de 2026.

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