HOME > Poder

Fiador do PL da Dosimetria, Hugo Motta não vai ao ato do 8 de janeiro

O presidente Lula deve vetar o projeto em cerimônia no Planalto nesta quinta-feira

Hugo Motta (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, não estará presente no ato organizado pelo governo federal para lembrar os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A cerimônia deve contar com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, que diminui as penas dos envolvidos nos atos golpistas. As informações são do jornal O Globo.

A ausência de Motta foi confirmada por sua assessoria, que informou que o deputado cumpre compromissos fora da capital federal e está em período de férias parlamentares. Aliados afirmam que o presidente da Câmara já havia comunicado previamente ao governo que não participaria do evento.

Motta também não esteve presente na cerimônia realizada no ano passado, quando o governo promoveu a segunda homenagem oficial em memória da invasão às sedes dos Três Poderes. Neste ano, o contexto político se mostra ainda mais delicado em razão do debate sobre a dosimetria.

A proposta aguarda agora a decisão do presidente Lula. No Palácio do Planalto, a possibilidade de veto é considerada elevada, o que reacendeu tensões com o Legislativo, sobretudo na Câmara, onde o texto teve apoio expressivo. Parlamentares avaliam que a discussão acabou interferindo no clima político em torno do 8 de Janeiro, transformando a solenidade em um novo teste da relação entre Executivo e Congresso.

Nesse cenário, a ausência do presidente da Câmara é interpretada por líderes partidários como um gesto de cautela institucional. A leitura predominante é que Motta evitou se associar diretamente ao simbolismo do ato promovido pelo governo, sem, contudo, adotar uma postura de confronto aberto. Parte do Congresso prefere evitar exposição em um evento que pode ganhar contornos de disputa política caso o veto seja confirmado.

Nos bastidores, a expectativa é de que a cerimônia conte majoritariamente com integrantes da base governista. Ainda assim, o Planalto reforça o caráter institucional do ato, destacando que a iniciativa tem como foco a defesa da democracia e a preservação da memória dos ataques às instituições.

Diante do impasse, auxiliares do governo passaram a defender internamente que Lula adie a decisão sobre o veto, justamente para impedir que o debate sobre a dosimetria das penas se sobreponha ao significado simbólico do 8 de Janeiro.

No Senado, o cenário é semelhante. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ainda não confirmou presença na cerimônia e, segundo interlocutores, pode optar por não comparecer. A indefinição reforça a percepção de que o Congresso adota uma postura mais cautelosa neste ano, marcada por cálculos políticos e pela expectativa em torno da decisão do Planalto.

Artigos Relacionados