HOME > Poder

Gleisi Hofmann planeja deixar SRI para disputar o Senado no Paraná após conversa com Lula

Aliados dizem que a ministra foi incentivada pelo presidente a entrar na corrida de 2026; prazo de desincompatibilização vai até 4 de abril

Brasília (DF) - 26/11/2025 - A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

247 – A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hofmann (PT), deverá se desincompatibilizar do cargo para tentar, novamente, uma vaga no Senado pelo Paraná nas eleições de 2026. Integrantes da própria SRI relatam que a ministra já comunicou à equipe a intenção de concorrer pela terceira vez ao posto, após ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A informação foi publicada pelo portal Metrópoles, que aponta que, segundo um integrante da SRI, Gleisi teria sido “designada pelo presidente” para entrar na disputa. Se a candidatura se confirmar, ela precisa se desvincular do ministério até 4 de abril, prazo legal para desincompatibilização.

Disputa pelo Senado deve ser o centro da estratégia de 2026 no Paraná

Com duas cadeiras em jogo por estado, a eleição para o Senado tende a concentrar esforços de partidos de esquerda e direita já no início do ano eleitoral. A movimentação ocorre em meio ao entendimento de que a composição atual do Senado é relativamente mais favorável ao governo do que a Câmara, enquanto a oposição aposta em reverter esse cenário na próxima legislatura.

Ratinho Jr. lidera e direita aparece à frente nas pesquisas no Paraná

No Paraná, o governador Ratinho Jr. desponta como principal pré-candidato ao Senado e tem aparecido à frente nas sondagens. Em levantamento do instituto Real Time realizado entre 25 e 26 de novembro de 2025, Ratinho Jr. registrou 31% das intenções de voto. Na sequência, aparecem a bolsonarista Cristina Graeml (União), com 14%, e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado Filipe Barros (PL), ambos com 13%.

Entre os nomes do PT, Gleisi marcou 10% e o deputado Zeca Dirceu (PT), filho do ex-ministro José Dirceu, apareceu com 8%. A pesquisa ouviu 1,2 mil eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais.

O levantamento também simulou um cenário sem Ratinho Jr., hipótese levantada diante das especulações de que o governador poderia mirar uma candidatura presidencial. Nesse recorte, Dallagnol e Graeml lideraram com 20% das intenções de voto, enquanto Filipe Barros apareceu com 18%. Gleisi ficou em quarto lugar, com 12%, indicando que a presença do governador na disputa tende a reorganizar o tabuleiro eleitoral no estado.

Saída do governo e rearranjo nacional: Haddad e Marina também entram na mira

A movimentação de Gleisi ocorre em um contexto mais amplo de rearranjo político para 2026. Segundo o mesmo relato, recentemente a ex-presidente do PT defendeu a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao Senado por São Paulo. A avaliação é que Haddad poderia antecipar a saída do ministério para se dedicar à construção de um palanque competitivo para o presidente Lula no estado paulista.

Ainda de acordo com o texto, Gleisi também teria informado que Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, deverá deixar a Rede Sustentabilidade e se filiar ao PT. Ela poderia disputar uma vaga tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.

Prazo até abril impõe calendário e pressiona articulações

Com o prazo de 4 de abril como marco para a desincompatibilização, a eventual saída de Gleisi da SRI adiciona pressão ao calendário político do Planalto. A pasta é estratégica justamente por concentrar a articulação do governo com o Congresso, e qualquer mudança no comando tende a repercutir diretamente no desenho da base parlamentar e na condução das negociações ao longo de 2026.

Artigos Relacionados