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Haddad promete ser “governador da segurança pública” e acusa Tarcísio de desorganizar o Estado contra o crime

Pré-candidato ao governo de SP defende gabinete contra o crime organizado, critica privatização da Sabesp e diz que Lula quer “tudo a limpo” no caso Master

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP | Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 – O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad afirmou que pretende fazer da segurança pública o eixo central de sua campanha e de uma eventual gestão no Palácio dos Bandeirantes. Em sabatina à BandNews TV, o ex-ministro da Fazenda disse que deseja assumir pessoalmente o enfrentamento ao crime organizado e acusou o governo Tarcísio de Freitas de ter deixado o Estado desarticulado diante do avanço das facções, da lavagem de dinheiro e da violência urbana.

"Eu quero ser o governador da segurança pública", afirmou Haddad logo no início da entrevista. Segundo ele, São Paulo precisa de um comando político e institucional capaz de integrar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Receita Federal, COAF, Ministérios Públicos estadual e federal e demais órgãos de inteligência. "Chegou um momento de alguém assumir como tarefa pessoal o enfrentamento ao crime organizado, o enfrentamento à questão da tomada dos territórios", declarou.

Críticas à gestão da segurança em São Paulo

Haddad fez duras críticas ao secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio, Guilherme Derrite, a quem atribuiu uma gestão “desastrosa” na Polícia Militar. Segundo o pré-candidato, a atual administração teria rompido a lógica de meritocracia interna da corporação e substituído critérios técnicos por indicações políticas.

"Esse governo, em especial, na minha opinião, deixou muito a desejar. Nós andamos para trás em vários aspectos, a começar pela gestão do secretário de segurança pública, que foi um desastre para a Polícia Militar", disse.

Ele também criticou a atuação de Derrite na discussão da lei antifacção. Para Haddad, o texto teria deixado de fora crimes financeiros e de colarinho branco que sustentam a estrutura econômica do crime organizado. O pré-candidato citou nomes e grupos como Daniel Vorcaro, Refite e Reag ao defender que a lavagem de dinheiro e a infiltração em atividades econômicas legais sejam tratadas como parte central do combate às facções.

"Quem abastece a violência é o dinheiro que vem do andar de cima", afirmou. "Para você ganhar dinheiro, lavar dinheiro, todos esses crimes do andar de cima dependem de uma capilaridade para vender combustível usando posto de gasolina, usar bet, usar uma série de expedientes para que o crime organizado consiga lavar o dinheiro e eventualmente até legalizar uma parte desse dinheiro."

Gabinete permanente contra o crime organizado

Como proposta, Haddad defendeu a criação de um gabinete permanente de segurança pública, presidido pelo governador, com reuniões regulares e prestação de contas à população. A ideia, segundo ele, é transformar a cooperação entre órgãos em regra, e não em exceção.

"Eu vou estabelecer um comando único na mesa do governador em que vão ter assentos o chefe da Polícia Militar, o comandante da Polícia Militar, o delegado-geral da Polícia Civil, a Polícia Federal, COAF, Receita Federal, Ministérios Públicos, tanto estadual quanto federal", disse.

Haddad afirmou que o Estado dispõe de tecnologia para mapear redes criminosas, mas carece de estratégia, articulação e comando. Para ele, o exemplo a ser seguido é a Operação Carbono Oculto, que envolveu Receita Federal, Ministério da Fazenda e Gaeco no combate a esquemas de lavagem de dinheiro e sonegação.

"Carbono Oculto é o nosso modelo. É da Carbono Oculto que nós vamos tirar a institucionalidade para tornar cooperação regra e não exceção e asfixiar financeiramente o crime organizado", afirmou.

Maioridade penal e discurso eleitoreiro

Questionado sobre a redução da maioridade penal para 16 anos, Haddad rejeitou a proposta como solução para a segurança pública. Ele classificou o tema como uma bandeira “eleitoreira” usada em campanhas, mas sem efeito real na organização do Estado contra o crime.

"Eu não acho que é esse o caminho. Eu penso que isso aí é uma bandeira eleitoreira", disse. "Você fala que vai fazer, que vai prender, que vai arrebentar, que vai matar. E, na verdade, entra e sai governador e as coisas continuam como estão."

O pré-candidato afirmou que a legislação sobre adolescentes infratores pode ser aperfeiçoada, mas insistiu que o centro do problema está nas estruturas econômicas e políticas do crime. "Vamos falar sério. Quem está cometendo crime no Brasil é o andar de cima", declarou.

Haddad também criticou Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas por, segundo ele, não terem apresentado propostas estruturantes quando estavam no governo federal. "Bolsonaro foi presidente, fez o quê? Por que ele não propôs as coisas? Tinha maioria", afirmou.

Feminicídio e crimes no espaço privado

A violência contra as mulheres também foi um dos temas centrais da sabatina. Haddad afirmou que o combate ao feminicídio exige uma estratégia diferente daquela usada contra crimes de rua ou contra o crime organizado financeiro.

Ele dividiu sua proposta de segurança em três camadas: o “andar de cima”, ligado aos crimes financeiros e à lavagem de dinheiro; o espaço público, relacionado à circulação das pessoas nas cidades; e o espaço privado, onde ocorrem muitos crimes contra mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência.

"Você não pode confundir esses três crimes, esses três tipos de crime, porque com uma estratégia só você não vai conseguir enfrentar", afirmou.

Ao tratar dos feminicídios, Haddad disse que São Paulo está atrasado no uso de tecnologias capazes de proteger mulheres ameaçadas. Ele citou medidas protetivas, monitoramento de agressores e mecanismos de alerta como instrumentos que deveriam ser fortalecidos.

"Nós estamos muito aquém, com a tecnologia disponível em São Paulo, de dar a essa mulher condições de proteger sua própria vida quando ela se sente ameaçada", disse.

Sabesp: “virando uma Enel da água”

Haddad também atacou a privatização da Sabesp, classificando a venda da companhia como um “péssimo negócio” para os paulistas. Ele afirmou que não teria privatizado a empresa, que, segundo ele, estava organizada, dava lucro e tinha capacidade de investimento.

"Eu acho que o Tarcísio fez um péssimo negócio ao privatizar a Sabesp. Primeiro que eu não privatizaria. Sabesp era uma empresa em ordem, uma empresa muito bem arrumada, com lucro, investindo", afirmou.

O pré-candidato acusou o governo paulista de ter conduzido o processo de forma a reduzir a concorrência. Ao ser questionado se fazia uma acusação de direcionamento, Haddad disse que reproduzia informações publicadas pela imprensa sobre alterações no edital que teriam inibido a participação de outros grupos.

"Eu estou falando que os jornais disseram que ele foi introduzindo cláusulas que inibiram a participação. Isso é uma constatação factual. Se isso é crime ou não, é outro capítulo", declarou.

Haddad disse ainda que a qualidade do serviço piorou e que as reclamações contra a companhia aumentaram. "A Sabesp está virando uma Enel da água", afirmou. Ele também acusou o governo de vender ações abaixo do preço de mercado e criticou o aumento da tarifa acima da inflação.

Disputa com Tarcísio e interior paulista

Ao falar sobre a eleição de 2026, Haddad disse não subestimar a dificuldade da disputa contra Tarcísio de Freitas, mas afirmou que o atual governador é quem precisa demonstrar compromisso com São Paulo. Segundo ele, Tarcísio desejava disputar a Presidência da República e “está de passagem” pelo Estado.

"Quem tem que provar que quer ser governador é ele, porque ele queria sair para presidente da República. Ele nunca teve residência fixa em São Paulo. Ele é que tem que mostrar a que veio", disse.

Haddad afirmou que pretende levar ao interior paulista um modelo de relação republicana com prefeitos, sem discriminação partidária. Segundo ele, como ministro da Educação e da Fazenda, nunca condicionou a liberação de recursos ao partido dos gestores locais.

"Lá não se pergunta religião, partido, time de futebol, nada disso. A obra é importante para a cidade, o recurso vai ser liberado", afirmou.

O pré-candidato também disse que o governo federal destinou mais recursos a São Paulo na gestão Lula do que o governo Bolsonaro havia destinado ao então governador João Doria. Ele citou a renegociação da dívida estadual e afirmou que o Estado teria obtido economia de R$ 11 bilhões por ano no serviço da dívida com a União.

Universidades públicas e assistência estudantil

Na área da educação, Haddad defendeu que a autonomia financeira das universidades paulistas seja garantida na Constituição do Estado, em modelo semelhante ao da FAPESP. Segundo ele, USP, Unesp e Unicamp precisam de previsibilidade de longo prazo para planejar suas ações sem ficarem dependentes da alternância política no Palácio dos Bandeirantes.

"A autonomia das universidades tem que ser garantida na Constituição do Estado com um modelo muito parecido com o da FAPESP", afirmou.

Haddad também destacou políticas federais de expansão do ensino superior, como ProUni, reserva de vagas para estudantes de escola pública, Enem, Sisu, expansão da Unifesp e criação do Instituto Federal de São Paulo. Para ele, o novo desafio é garantir assistência estudantil para que alunos de baixa renda consigam permanecer na universidade.

"Não basta entrar", disse. "Às vezes por falta de um vale-alimentação, de um vale-transporte, de um vale-moradia, ele evade."

Banco Master, Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro

No fim da entrevista, Haddad foi questionado sobre a investigação envolvendo o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, no contexto do caso Banco Master. O pré-candidato afirmou que vê com tranquilidade a postura do presidente Lula, a quem atribuiu a determinação de apurar tudo “doa a quem doer”.

"O presidente Lula, desde o começo de toda essa história, chamou Ministério Público, ministros do Supremo, delegado-geral da Polícia Federal, Banco Central, Ministério da Fazenda e falou: ‘Eu quero tudo a limpo. Doa a quem doer. Pode ser parente, pode ser ministro, pode ser oposição, pode ser quem for’", afirmou Haddad.

Ele classificou o caso Banco Master como "a maior fraude bancária da história do Brasil" e disse que a investigação deve alcançar todos os envolvidos, independentemente de partido. Haddad também mencionou Flávio Bolsonaro, afirmando que o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro precisa ser explicado.

"Isso vale para o Flávio Bolsonaro, que pediu 134 milhões para fazer um filme B sobre o pai que deve custar 10% disso", disse.

Haddad defendeu o direito de defesa de Jaques Wagner e de todos os investigados, mas afirmou que a Polícia Federal deve investigar qualquer suspeita. "No final do processo, você vê quem errou tem que ser punido. Quem foi investigado e se explicou é absolvido, ou nem é processado, como acontece várias vezes", declarou.

Ao comparar Lula e Bolsonaro, Haddad disse que o atual presidente não interfere na Polícia Federal para proteger aliados ou familiares. "Eu fico tranquilo de ter um presidente da República que, ao contrário do Bolsonaro, não trocou superintendente da Polícia Federal, não trocou delegado-geral da Polícia Federal, não trocou o ministro da Justiça para proteger o filho", afirmou.

Segundo Haddad, o caso Master precisa ser investigado desde sua origem no Banco Central até todos os desdobramentos políticos e financeiros. "Onde quer que os tentáculos do Master tenham chegado, a polícia tem o dever de investigar e o Brasil tem o direito de saber a verdade até para definir os seus destinos", concluiu.

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