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Lula critica Conselho da ONU e diz que o mundo não pode se curvar a presidente que faz guerra pelo Twitter

Na abertura da Feira de Hannover, na Alemanha, presidente condena a escalada dos conflitos e critica a política agressiva de Donald Trump

19.04.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Theodor-Heuss-Platz 1-3, Alemanha. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert )

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer duras críticas, neste domingo (19), ao funcionamento do Conselho de Segurança da ONU e à escalada das guerras no cenário internacional. Em discurso na cerimônia de abertura da Feira de Hannover, na Alemanha, Lula questionou o papel das principais potências globais diante do aumento dos conflitos e afirmou que o mundo “não pode se curvar” ao comportamento de líderes que usam instrumentos unilaterais de pressão econômica e política. As informações foram publicadas pelo jornal Valor.

Ao mencionar o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula condenou a lógica de imposição adotada por chefes de Estado que, segundo ele, tentam definir os rumos do planeta por meio de mensagens e medidas arbitrárias. Em uma das falas mais fortes do discurso, o presidente afirmou que não se pode permitir que o mundo “se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por Twitter pode taxar produtos, punir países e fazer guerras”.

A declaração foi feita no contexto de uma crítica mais ampla à paralisia das instituições internacionais diante da multiplicação de confrontos armados. Para Lula, o sistema criado no pós-Segunda Guerra Mundial perdeu a capacidade de cumprir sua função essencial de preservar a paz e evitar novas tragédias humanitárias.

Lula cobra responsabilidade das potências

Ao abordar diretamente o Conselho de Segurança da ONU, Lula questionou a utilidade prática do organismo num momento em que o mundo, segundo ele, atravessa uma fase de conflitos generalizados. Em sua fala, ele destacou que os cinco membros permanentes deveriam atuar como garantidores da estabilidade internacional, e não como agentes de omissão diante das guerras.

“Não é possível que as pessoas não compreenderam que os cinco membros do conselho permanente da ONU foram criados para que mantivessem a paz, a harmonia e evitassem a repetição da Segunda Guerra Mundial. E hoje o mundo vive a maior quantidade de conflitos de sua história depois da Segunda Guerra”, disse o presidente.

Na sequência, Lula elevou o tom e cobrou uma resposta direta das lideranças que concentram maior poder político e militar no planeta. Citando nominalmente Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, o presidente brasileiro fez um apelo para que essas lideranças assumam a responsabilidade de interromper os conflitos em curso.

“É preciso perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que não se reúnem e param com essas guerras?”, afirmou Lula.

Crítica aos gastos militares e defesa do combate à fome

Outro eixo central do discurso foi a crítica à destinação de recursos bilionários para guerras, em contraste com a insuficiência de investimentos voltados à superação de dramas sociais históricos, como a fome, o analfabetismo e a exclusão energética. Lula apontou o que considera uma inversão perversa de prioridades no sistema internacional.

“Não é possível em pleno século 21, quando nós ainda não resolvemos o problema da fome, do analfabetismo, quando quase 60% dos seres humanos ainda não tem energia elétrica, não é possível que estejamos gastando US$ 2,7 bilhões em guerra e nada para acabar com a fome do planeta”, declarou.

A fala reforça uma linha recorrente do presidente em fóruns internacionais: a defesa de uma governança global mais voltada ao desenvolvimento humano e menos subordinada à lógica militar. Ao associar os gastos com guerra à permanência da pobreza extrema e da desigualdade, Lula buscou recolocar no centro do debate internacional temas sociais que, em sua avaliação, vêm sendo negligenciados pelas grandes potências.

Discurso reforça crítica à ordem internacional

A intervenção de Lula em Hannover se insere em uma crítica mais ampla à arquitetura internacional construída após a Segunda Guerra Mundial. Ao sustentar que o Conselho de Segurança falha em sua missão fundamental, o presidente coloca em questão a eficácia de um modelo que concentra poder decisório justamente nas nações que hoje ocupam o centro das disputas geopolíticas.

Sua fala também carrega um conteúdo político claro ao atacar a postura unilateral de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, a quem Lula associou a práticas de intimidação econômica, punição a países e estímulo a conflitos. Nesse sentido, o discurso combina defesa do multilateralismo, crítica à escalada belicista e denúncia do uso arbitrário do poder por chefes de Estado.

Ao escolher a abertura da Feira de Hannover para reforçar essa mensagem, Lula leva ao coração da Europa industrial uma advertência sobre os riscos de uma ordem global cada vez mais tensionada por rivalidades, sanções, taxações e guerras. Sua cobrança, dirigida aos líderes das maiores potências, busca recolocar a paz e o combate à fome como prioridades efetivas da agenda mundial.

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