Lula critica omissão do Conselho de Segurança da ONU: "cinco senhores de guerra"
Presidente afirma que Conselho de Segurança bloqueia soluções e amplia conflitos globais
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) deixou de cumprir seu papel original de promover a paz e passou a agir de forma limitada pelas disputas entre grandes potências. Segundo ele, o Conselho de Segurança, criado após a Segunda Guerra Mundial, hoje impede avanços na resolução de conflitos internacionais.
A declaração foi feita durante a 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global, realizada em Barcelona, na Espanha, onde Lula também criticou a atuação das potências globais e o aumento de guerras no mundo. Em seu discurso, o presidente disse: "a querida Nações Unidas, que foi criada depois da Segunda Guerra Mundial (...) se transformou em cinco senhores de guerra".
Críticas ao Conselho de Segurança e ao cenário global
Lula destacou que o modelo atual da ONU, com cinco membros permanentes com poder de veto, trava decisões importantes. "O Conselho de Segurança não permite que as coisas aconteçam. Quando um aprova uma coisa, o outro veta", afirmou.
O presidente também chamou atenção para o aumento dos conflitos armados no cenário internacional, que, segundo ele, atingiu níveis inéditos desde a Segunda Guerra Mundial. Ele citou episódios históricos para criticar intervenções militares, afirmando que "a invasão do Iraque foi uma mentira" e questionando a ausência das armas químicas que justificaram a ação.
Questionamentos sobre intervenções internacionais
No discurso, Lula também mencionou a atuação de países europeus e dos Estados Unidos em conflitos como o da Líbia, além da situação em Gaza e no Líbano. Ele classificou essas ações como baseadas em justificativas frágeis e questionou os motivos por trás das ofensivas militares.
Ao abordar o Irã, o presidente relembrou a tentativa de negociação conduzida pelo Brasil em 2010, junto com a Índia e a Turquia. Segundo Lula, houve um acordo com o então presidente Mahmoud Ahmadinejad para limitar o enriquecimento de urânio. "Depois de dois dias, nós conseguimos um acordo", disse.
Críticas à rejeição de acordo com o Irã
Lula afirmou que o entendimento firmado não foi aceito pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Ele criticou a postura das potências, sugerindo que há uma tendência de construir narrativas para justificar ações futuras. "Nós precisamos acabar com essa história de contar mentiras sobre as pessoas para depois destruir as pessoas", declarou.
O presidente também criticou estigmas atribuídos a regiões do mundo, afirmando que a América Latina é frequentemente associada ao narcotráfico e o mundo árabe, ao terrorismo. Para ele, essas generalizações fazem parte de uma construção política que influencia a percepção global.
Autocrítica e reflexão política
Ao final, Lula afirmou que setores progressistas também tiveram responsabilidade ao longo do tempo, ao adotar determinadas visões políticas. "Muitas vezes nós fomos vítimas da nossa inocência política", disse, ao refletir sobre o impacto do chamado Consenso de Washington e suas consequências para a esquerda global.


