'Na próxima vez que eu encontrar Trump vou levar a urna eletrônica pra mostrar como funciona', diz Lula
Presidente defende soberania brasileira e rebate possível interferência dos EUA nas eleições brasileiras
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17), durante evento do G7, na França, que o Brasil não aceitará interferência externa nas eleições de outubro e defendeu a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. O petista respondeu a uma possível atuação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no processo eleitoral brasileiro. O político do Partido Republicano apoia a família Bolsonaro.
"Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas do Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica pra mostrar como ela funciona", disse Lula. O presidente também deixou um recado direto a Trump. "Não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são problema do Brasil", continuou.
Segundo Lula, "os EUA poderiam aprender com o Brasil, ter eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas". "Não tem país no mundo que tem sistema de urna eletrônica como o nosso, que, em duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados", afirmou.
"A gente não fica como no século passado com voto no papel, com uma lista com 500 nomes", disse Lula, acrescentando que Trump tem liberdade para manifestar preferências políticas e ideológicas, mas ressaltou que essa posição não pode violar a soberania brasileira.
"Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. Gosto não se discute. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações, que querem ser respeitadas na sua soberania", pontuou Lula.
Declarações de Trump
Durante o evento do G7, na França, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o quadro político brasileiro ficou “perigoso”. A fala ocorreu em uma coletiva de imprensa após compromissos do encontro internacional.
O chefe da Casa Branca comentou o tema ao responder a perguntas de jornalistas sobre a conversa que teve com o presidente Lula. Os questionamentos abordaram as novas tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil e a decisão do governo estadunidense de classificar facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
No Brasil, políticos do campo progressista denunciam que a classificação feita pelo governo dos EUA tem como objetivo estimular sanções contra o governo brasileiro por causa das condenações em inquéritos sobre ações golpistas. Aliado de Trump, Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta (27 anos de prisão) entre os 29 condenados na investigação sobre a tentativa de golpe.
Pesquisas mostram vantagem de Lula
A Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA, apontou Lula com 12,5 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Também divulgada neste mês de junho, a pesquisa Quaest, contratada pela Genial Investimentos, mostrou Lula seis pontos percentuais à frente do parlamentar da extrema direita.
No primeiro turno, a Quaest registrou Lula com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro apareceu com 29%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3% cada. Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) ficaram com 2% cada.
Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registraram 1% cada. Os indecisos somaram 10%. Brancos, nulos ou eleitores que não votariam chegaram a 9%.


