"Não queremos uma Guerra Fria entre EUA e China", diz Lula
Presidente também defendeu a soberania nacional e criticou a dependência de fertilizantes importados durante agenda na Bahia
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (14), durante visita à fábrica de fertilizantes de Camaçari, na Bahia, que o Brasil não tem interesse em uma escalada de tensão geopolítica entre Estados Unidos e China. “Nós não queremos uma Guerra Fria entre EUA e China. Nós não queremos uma segunda Guerra Fria”, disse Lula durante a cerimônia que marcou a retomada das operações da unidade industrial, de acordo com a Sputnik Brasil.
Ao comentar o cenário internacional e as relações comerciais brasileiras, Lula afirmou que o país pretende manter uma posição equilibrada diante das duas maiores economias do mundo e reforçou a importância da soberania nacional.
Lula cita relação comercial entre Brasil, China e EUA
Durante o discurso, Lula relembrou o encontro realizado na semana passada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o governo brasileiro apresentou interesses estratégicos do país nas conversas bilaterais.
O presidente também destacou a mudança no cenário comercial brasileiro ao longo das últimas décadas e afirmou que a China ultrapassou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil.
“Até 2008 os Estados Unidos foram o mais importante parceiro comercial do Brasil. A partir de 2008 entrou a China. Hoje a China é o dobro do comércio com os Estados Unidos”, afirmou.
Segundo Lula, o avanço chinês ocorreu em razão do interesse de Pequim em investir no Brasil. “Isso porque a China teve interesse de investir no Brasil e os Estados Unidos não tiveram”, acrescentou.
Lula defende negociações “de igual para igual”
Ao falar sobre política internacional, Lula afirmou que o Brasil deve negociar em condições de igualdade com outras potências mundiais. O presidente disse que o país está disposto a dialogar sobre diversos temas estratégicos, mas sem abrir mão da soberania nacional. “A gente discute tudo o que tiver que discutir, como combate ao crime organizado e terras raras, menos democracia e soberania, porque isso é coisa nossa”, afirmou.
Presidente critica dependência de fertilizantes importados
Lula também defendeu a retomada da capacidade produtiva nacional no setor de fertilizantes e criticou a elevada dependência externa do agronegócio brasileiro. Segundo ele, o país ainda importa cerca de 90% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.
O presidente afirmou que o Estado pode atuar de forma eficiente em setores estratégicos e criticou políticas de privatização. “Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas. Quando eu não sei governar, eu começo a dizer que é ineficiente. Nada é mais importante para o país do que ‘ser dono do próprio nariz’, do que a gente ter orgulho”, declarou.
Lula comenta caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Após a visita à fábrica, Lula comentou rapidamente as revelações envolvendo áudios atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. As gravações indicariam pedidos de dinheiro feitos pelo filho de Jair Bolsonaro (PL) ao dono do Banco Master, atualmente liquidado.
Questionado sobre o caso, o presidente evitou aprofundar o tema e afirmou que o assunto deve ser tratado pelas autoridades competentes. “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, declarou.
“Vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha”, afirmou. “Político que mente deveria cair a língua”, completou.
Mais cedo, também em Camaçari, Lula participou da assinatura da autorização para contratação de 1.930 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia. Sem citar nomes, o presidente fez críticas a mentiras na política em referência indireta ao episódio envolvendo os áudios.



