Advogado preso no caso do Banco Master controla R$ 893 milhões em empresas
Investigação aponta uso de empresas para ocultar patrimônio e repasses
247 - Preso no âmbito do caso Master, o advogado Daniel Monteiro aparece ligado ao controle de estruturas empresariais que somam R$ 893 milhões, envolvendo empresas e fundos de investimento. A apuração revela um modelo de organização financeira com participação direta de familiares. A informação foi publicada neste domingo (19) pela coluna de Demétrio Vecchioli, no portal Metrópoles.
O levantamento identificou ao menos três estruturas empresariais com características semelhantes. Essas estruturas reúnem 21 empresas, seis fundos de investimento e valores declarados próximos de R$ 893 milhões.
Estrutura empresarial sob investigação
O advogado Daniel Monteiro foi preso após suspeitas de participação em um esquema que envolvia o uso de empresas para transferir imóveis de alto padrão ao presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, como pagamento de propina. A investigação aponta que seis empresas teriam sido usadas para intermediar essas operações.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça indica que fundos de investimento administrados por uma gestora criaram empresas com o objetivo de receber recursos e adquirir imóveis. O modelo dificultava a identificação da origem do dinheiro e dos beneficiários finais.
“Em juízo sumário, esse arranjo afasta a aparência de atuação jurídica meramente consultiva e revela domínio prático sobre os mecanismos de ocultação da titularidade e da origem dos valores”, afirmou o ministro.
Participação de familiares
A investigação aponta que parentes do advogado assumiram funções estratégicas nas empresas. O cunhado Hamilton Suaki aparece como diretor em diversas companhias, enquanto o irmão, David Monteiro, também participa da gestão de outras estruturas.
Entre janeiro e fevereiro de 2025, assembleias criaram várias empresas sob o modelo de sociedade anônima, com participação de fundos de investimento como acionistas únicos. Essas empresas receberam recursos para aquisição de bens, segundo a apuração.
Modelo replicado
Os investigadores identificaram a repetição do mesmo padrão em outras estruturas empresariais. Em diferentes momentos, grupos de empresas surgiram com características semelhantes, incluindo uso de fundos de investimento, empresas de prateleira e direção por familiares.
Uma das estruturas mais recentes concentrou cerca de R$ 492 milhões em ativos distribuídos entre cinco empresas. Outra organização mais antiga reuniu quatro companhias com capital declarado de R$ 52 milhões.
Rede financeira complexa
O levantamento também aponta a existência de empresas adicionais vinculadas ao mesmo grupo, com capital relevante e investimentos realizados por fundos específicos. Em alguns casos, os recursos aparecem associados a investigações sobre possível desvio de patrimônio.
A análise das autoridades indica que o conjunto dessas estruturas forma uma rede financeira ampla, com diferentes camadas de empresas e fundos. O modelo sugere organização voltada à circulação de recursos e à ocultação de patrimônio, o que amplia o alcance das investigações em curso.

