Atingida por raio em ato liderado por Nikolas, advogada de Débora do batom diz estar com rosto paralisado
A bolsonarista foi condenada pela participação nos atos golpistas e pela pichação da frase “perdeu Mané” na estátua “A Justiça”, em frente ao STF
247 - A advogada Tanieli Telles, que atua na defesa de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter sido atingida por uma descarga elétrica durante um ato bolsonarista realizado em Brasília. O relato foi concedido ao jornal O Estado de S.Paulo e posteriormente divulgado também nas redes sociais da própria advogada.
O episódio ocorreu durante uma manifestação promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), da qual Tanieli participava ao lado de outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A advogada afirma que, após o episódio, passou a apresentar sequelas físicas e cognitivas.
Tanieli Telles é conhecida por atuar na defesa de Débora Santos, chamada por apoiadores bolsonaristas de “Débora do Batom”, condenada pela participação nos ataques de 8 de janeiro e pela pichação da frase “perdeu Mané” na estátua “A Justiça”, em frente ao STF. De acordo com a advogada, a descarga elétrica teria provocado paralisia em parte do rosto e dificuldades cognitivas.
Ao Estado de S.Paulo, Tanieli descreveu o momento em que sentiu os efeitos do que classificou como um raio. “Eu senti uma dor muito forte no meu ombro direito e voei para longe. Achei que era um tiro”, relatou. Em outro trecho do depoimento, ela afirmou enfrentar dificuldades para se expressar. “Eu estou com um certo atraso para falar. Normalmente estou ligada no 220 volts. Então, às vezes vou falar alguma coisa, eu fico parando, pensando... É como se fosse uma dificuldade cognitiva mesmo, né?”, disse.
Condenação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (18) manter a condenação imposta à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos pela Primeira Turma da Corte. A decisão rejeita um recurso apresentado pela defesa e confirma a pena definida no julgamento.
Débora foi condenada em abril a 14 anos de prisão por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e pela pichação da frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, instalada em frente à sede do STF, em Brasília.
Ao negar o pedido da defesa, Alexandre de Moraes afirmou que a ré não tem direito aos chamados embargos infringentes, mecanismo jurídico que permite a revisão da pena quando há ao menos dois votos favoráveis à absolvição. No caso de Débora Rodrigues dos Santos, o julgamento terminou com placar de 4 votos a 1 pela condenação, o que inviabiliza esse tipo de recurso.
Ações golpistas
O episódio envolvendo a advogada ocorre em meio ao avanço das investigações e julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado associada aos ataques de 8 de janeiro de 2023. O Supremo Tribunal Federal já alcançou a marca de 29 pessoas condenadas à prisão em ações penais ligadas à trama golpista ocorrida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apenas dois réus foram absolvidos até o momento.
As investigações conduzidas pelo STF abrangem os atos que culminaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, e fazem parte de uma apuração mais ampla sobre a tentativa de ruptura institucional. No julgamento específico relacionado às invasões daquele dia, a Corte condenou 1.399 pessoas por envolvimento direto nas ações.
De acordo com dados divulgados pelo STF em 8 de janeiro deste ano, 179 pessoas seguem presas em decorrência dessas condenações. Desse total, 114 cumprem pena em regime fechado, 50 estão em prisão domiciliar e outras 15 permanecem em prisão preventiva, entre elas Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro.
Segundo dados atualizados pelo Corpo de Bombeiros na manhã de segunda-feira (26), 89 pessoas receberam atendimento no local após a queda do raio.


