Câmara pode revisar "taxa da blusinhas", diz Hugo Motta
Presidente da Câmara afirma que revisão da taxa das blusinhas dependerá de impacto fiscal e diálogo com setores produtivos e consumidores
247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende discutir uma possível revisão da chamada “taxa das blusinhas”, mas destacou que qualquer mudança precisará considerar os efeitos fiscais para o governo, diante do aumento recente da arrecadação com a medida. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (17).
Segundo Motta, a análise sobre a eventual revogação do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 exige cautela para evitar prejuízos ao orçamento federal. “Precisamos saber se o orçamento desse ano comporta uma possível revogação dessa taxação”, afirmou. Ele também ressaltou a necessidade de um amplo debate antes de qualquer decisão. “Temos que discutir qual seria o modelo, ouvir a todos. O setor produtivo, os consumidores, a sociedade brasileira e, claro, as lideranças partidárias para ver a possibilidade de se avançar ou não na revogação dessas taxas”, completou.
A discussão ocorre em meio ao crescimento da arrecadação gerada pela medida. Em 2025, o governo federal obteve cerca de R$ 5 bilhões com a taxação, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal. Apenas em janeiro de 2026, a arrecadação somou R$ 425,3 milhões, um aumento de 25% em relação ao mesmo mês do ano anterior, com base em 15,5 milhões de remessas internacionais.
No governo federal, a posição tem sido de defesa da manutenção do tributo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a cobrança de 20% sobre compras internacionais ainda é necessária para equilibrar a concorrência com a indústria nacional. “Se você for somar aí 20% do imposto mais o ICMS dos Estados, vai dar menos de 40%. O produtor nacional paga quase 50% (de imposto). Então, mesmo assim, ainda a tarifa está menor do que a produção nacional”, declarou.


