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Cármen Lúcia afirma que democracia é "frágil" e exige defesa constante

Em aula na UnB, ministra do STF comparou o modelo democrático à própria vida e ressaltou necessidade da vigilância permanente

Cármen Lúcia (Foto: Luiz Silveira/STF)

247 - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (22) que a democracia é um sistema delicado e que precisa ser defendido continuamente para garantir os direitos fundamentais. A declaração foi feita durante aula magna na Universidade de Brasília (UnB). As informações são do SBT News.

Ao abordar o tema, a magistrada comparou a democracia à própria vida e ressaltou que ambas exigem cuidado permanente. "A vida, como a democracia, se faz todo dia. E não é fácil, não é nem um pouco aperfeiçoada. A vida é frágil, a democracia é frágil. Ambas são ótimas e necessárias. Se a gente não lutar todos os dias pela vida, a vida se perde de maneira física, factual, ou se perde pelo que ela podia ter sido e não foi. Assim é a democracia", afirmou.

Direitos fundamentais sob pressão

Durante a exposição, Cármen Lúcia destacou que o modelo democrático não pode se limitar ao discurso e deve ser compreendido como parte essencial da garantia de direitos. Segundo ela, a democracia integra a "cesta básica dos direitos fundamentais", exigindo atuação constante da sociedade para sua preservação.

A ministra também apontou desafios contemporâneos que impactam as liberdades, como a crise climática e a expansão das redes sociais. Ela alertou para a necessidade de acompanhamento atento dessas transformações, a fim de evitar um cenário de retrocesso. Segundo suas palavras, é preciso evitar um "ponto de não retorno das liberdades democráticas".

Desafios inéditos no STF

Cármen Lúcia afirmou que o STF enfrenta questões sem precedentes, o que exige novas respostas institucionais. "Não temos mais perguntas prontas para repetir como a jurisprudência consolidada. Estamos tendo indagações inéditas e precisamos inventar a melhor forma de responder para que a gente tenha a garantia das democracias", disse.

A ministra defendeu ainda o diálogo entre diferentes perspectivas como elemento central para a convivência democrática. Para ela, o ambiente universitário desempenha papel relevante ao promover o contato com a diversidade de ideias.

"Ninguém aprende com os iguais. Com os iguais a gente apenas fala, e às vezes de maneira repetitiva, e vai ficando velho. A gente aprende é com o diferente, com aquilo que é o plural de uma humanidade com tantas riquezas. Essa é a possibilidade que as liberdades e a libertação nos oferece: você poder se transformar a partir de você mesmo mudando ou confirmando aquilo que pensava", afirmou.

Direitos das mulheres

Ao tratar da Constituição de 1988, a ministra lembrou que a dignidade humana foi estabelecida como princípio fundamental, mas ressaltou que ainda há desafios na garantia de igualdade, especialmente para as mulheres.

Única mulher atualmente na composição do STF, Cármen Lúcia mencionou a necessidade de assegurar respeito e condições iguais. "Há quem ache que os humanos são só os homens, nós mulheres nem tanto. Nós somos todos pessoas humanas, nós queremos o mesmo respeito e a mesma condição", declarou.

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