Caso Master: quatro fundos são investigados por ligação com o crime organizado
De acordo com as investigações, os fundos inflavam artificialmente ativos e permitiam que os recursos voltassem ao controle do banco
247 - O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao Banco Central (BC) uma denúncia que atribui a quatro fundos investigados algumas ligações com o crime organizado. A informação foi divulgada no âmbito do inquérito que apura fraudes financeiras de até R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master.
De acordo com informações publicadas nesta sexta-feira (9) pelo Portal G1, as investigações apontaram que os fundos integram uma cadeia de transações estruturadas. O objetivo é inflar artificialmente ativos e permitir que o dinheiro voltasse ao controle do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e de diretores da instituição.
Técnicos do Banco Central apontaram que os fundos teriam sido usados para simular aportes de capital no Banco Master. A ideia era criar a aparência de que o banco tinha recursos suficientes para continuar operando nos últimos meses antes da liquidação. Mas, na prática, os valores estariam lastreados em ativos de baixa liquidez e sobrevalorizados, que valiam muito menos do que o registrado nas operações.
Conforme o exemplo citado por investigadores, um título avaliado em R$ 100 poderia ser negociado internamente por R$ 1.000, aumentando artificialmente o valor do patrimônio envolvido na operação.
O BC afirmou que as operações suspeitas envolvem fundos administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada para investigar lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A. Os motivos foram as fraudes financeiras apontadas na Operação Compliance Zero e também após o próprio BC rejeitar a proposta de venda ao Banco de Brasília (BRB).



