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Cela de Daniel Vorcaro tem 6 m², cama de concreto e sem televisão. Confira mais detalhes

O local fica próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda e ao prédio conhecido como “Papudinha”, onde Jair Bolsonaro cumpre pena

Daniel Vorcaro e uma cela na Penitenciária Federal de Brasília (Foto: Daniel Vorcaro e a cela em Brasília)

247 - O banqueiro Daniel Vorcaro ficará detido em uma cela de 6 metros quadrados na Penitenciária Federal de Brasília (DF), unidade de segurança máxima do sistema prisional brasileiro. As informações sobre a estrutura da prisão e as condições de detenção foram divulgadas em reportagens sobre o caso envolvendo o empresário.

Segundo matéria publicada nesta sexta-feira (6) pelo Portal G1, o presídio foi inaugurado em 2018 e está localizado próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda e ao prédio conhecido como “Papudinha”, onde Jair Bolsonaro cumpre pena desde 15 de janeiro após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. 

A cela destinada aos presos possui área total de 6 m² e conta com uma estrutura simples e padronizada. No interior do espaço há uma cama, uma mesa e um assento. O ambiente também possui um pequeno banheiro equipado com pia, vaso sanitário e chuveiro. Todos os itens presentes na cela são feitos de concreto.

O espaço não possui tomadas elétricas. O funcionamento da iluminação e do chuveiro é controlado externamente, sendo ligado e desligado em horários previamente definidos pela administração do presídio, sem qualquer controle individual por parte do detento.

A Penitenciária Federal de Brasília conta com 208 celas desse mesmo padrão, distribuídas em quatro blocos distintos. O complexo possui aproximadamente 12,3 mil metros quadrados de área construída.

A segurança do local é mantida de forma permanente. A unidade é monitorada durante 24 horas por agentes penitenciários e por um sistema de câmeras que transmite imagens em tempo real. O presídio também possui quatro torres de vigilância.

Além disso, toda a estrutura é protegida por uma muralha com cerca de 9 metros de altura e 16 metros de profundidade, projetada para dificultar tentativas de fuga.

Presídios federais

O sistema penitenciário federal brasileiro conta atualmente com cinco unidades. Além da penitenciária de Brasília, existem presídios federais em Campo Grande (MS), Catanduvas (PR), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).

Essas unidades são destinadas principalmente ao isolamento de líderes de organizações criminosas, réus colaboradores presos ou delatores premiados que enfrentam risco de morte no sistema prisional administrado pelos estados.

As regras aplicadas nesses presídios são consideradas rigorosas e impõem limitações significativas à rotina dos detentos, inclusive nos períodos fora das celas.

Entre as normas estabelecidas está o direito a duas horas diárias de banho de sol, sempre sob vigilância constante. Os presos não têm acesso a rádio, televisão ou qualquer forma de comunicação externa direta.

As visitas de advogados ou familiares ocorrem exclusivamente em parlatórios, espaços separados por divisórias que impedem contato físico entre o detento e o visitante, mantendo o controle e a segurança dentro da unidade prisional.

Apuração

As informações sobre o suposto esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro vieram a público a partir de dados reunidos pela Polícia Federal (PF) durante o andamento das investigações. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades associadas ao Banco Master.

De acordo com as apurações conduzidas pela própria PF, as práticas investigadas podem ter causado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

As investigações indicam que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de um mandado de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário obteve liberdade provisória, com a exigência de uso de tornozeleira eletrônica.

A nova ordem de prisão foi fundamentada em mensagens localizadas no telefone celular do banqueiro, aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas apontaria ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

Entre os episódios mencionados na investigação, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria ameaçado o jornalista Lauro Jardim e também uma empregada doméstica. As apurações indicam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Ainda de acordo com a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas de diversas instituições. Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Advogados

Em nota divulgada por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua carreira.

No comunicado, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Ele acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o conteúdo das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam ocorrido em caráter privado e não tiveram a intenção de intimidar qualquer pessoa.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

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