André Mendonça diz que inquérito do Banco Master seguirá as provas, mesmo que atinja ministros do STF
As referências ao Supremo na investigação surgiram após o vazamento de dados extraídos do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro
247 - O ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), indicou que o inquérito seguirá seu curso com base nas evidências reunidas pelas autoridades, independentemente de quem possa ser mencionado ao longo das apurações. De acordo com o magistrado, a condução do inquérito deve acompanhar o rastro das provas coletadas, mesmo que o avanço das apurações eventualmente alcance integrantes do próprio STF. A investigação trata de suspeitas envolvendo o banco e suas possíveis ramificações.
O posicionamento do ministro André Mendonça foi publicado nesta sexta-feira (6) pela Coluna do Estadão. As referências ao Supremo na investigação surgiram após o vazamento de dados extraídos do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material inclui mensagens trocadas entre o empresário e o ministro Alexandre de Moraes.
Moraes afirmou não ter recebido as mensagens mencionadas e classificou as informações divulgadas sobre o episódio. Na avaliação apresentada pelo magistrado, a suposta relação com o banqueiro constitui uma ilação mentirosa voltada a atacar o Supremo Tribunal Federal.
Outro ponto citado no contexto das investigações envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. De acordo com informações relacionadas ao caso, ela teria mantido um contrato de quase R$ 130 milhões para atuar na defesa do banco ligado a Vorcaro.
Delegados da Polícia Federal também relataram que a condução do inquérito sofreu mudanças após André Mendonça assumir a relatoria do caso no lugar do ministro Dias Toffoli. Segundo os investigadores, a substituição teria criado um ambiente considerado mais favorável para o andamento das diligências.
Conforme relataram integrantes da Polícia Federal, a avaliação interna é de que agora "há clima mais normal" para o desenvolvimento das etapas da investigação, que segue em curso no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
Dias Toffoli
As críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) se intensificaram nos últimos meses em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. Em dezembro de 2025, o ministro do STF Dias Toffoli viajou para Lima, no Peru, em um avião particular para acompanhar a final da Copa Libertadores, disputada entre Flamengo e Palmeiras. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim no dia 7 de dezembro.
No mesmo voo estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que integra a defesa de um dos investigados no caso do Banco Master. O deslocamento ocorreu em um jato privado pertencente ao empresário Luiz Oswaldo Pastore, suplente de senador pelo MDB.
A aeronave transportou Toffoli e o advogado Arruda Botelho, responsável pela defesa de Luiz Antônio Bull, um dos alvos das investigações envolvendo o Banco Master. Posteriormente, em 11 de janeiro, reportagem publicada pela Folha de São Paulo revelou que duas empresas vinculadas a familiares de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos associado à rede utilizada pelo Banco Master em fraudes investigadas pelas autoridades.
Entenda
As informações sobre o esquema investigado envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro foram divulgadas a partir de dados reunidos pela própria Polícia Federal (PF) durante as apurações do caso. O material da investigação também aponta possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.
De acordo com os investigadores, as práticas sob análise teriam provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de insolvência de instituições financeiras.
Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano passado. Na ocasião, o empresário acabou obtendo liberdade provisória, com a condição de utilizar tornozeleira eletrônica.
A nova determinação de prisão foi baseada em mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro. O aparelho havia sido apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. Conforme apontam os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
Entre os episódios citados na investigação, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra uma empregada doméstica. As apurações apontam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.
Segundo a PF, o empresário também teria acessado de forma indevida sistemas de diferentes instituições. Entre as plataformas mencionadas estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.
Defesa
Em comunicado divulgado por sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de maneira equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que, ao longo de sua trajetória profissional, sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa.
Na nota, o banqueiro declarou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto".
"Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas", acrescentou.
No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o conteúdo das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais incisivas teriam ocorrido em caráter privado e não teriam tido o objetivo de intimidar qualquer pessoa.
O empresário afirmou: "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência".


