CPI do Crime Organizado marca depoimento da ex-noiva de Vorcaro
A comissão também agendou a oitiva de Belline Santana, servidor do Banco Central investigado no âmbito da Operação Compliance Zero
247 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado marcou para a próxima quarta-feira (25) o depoimento da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro. A convocação foi aprovada pelo colegiado na quarta-feira (18), o que, em regra, obriga o comparecimento do convocado — embora decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) possam tornar a presença facultativa em alguns casos.
O pedido para ouvir Martha partiu do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que argumenta que a influenciadora pode contribuir para o esclarecimento das investigações. Segundo o parlamentar, ela teria sido uma interlocutora frequente de Vorcaro e destinatária de relatos relevantes. “O material colhido pela Polícia Federal reúne conversas privadas entre Vorcaro e Martha, entre 2024 e 2025, nas quais o empresário relata encontros, articulações, viagens e contatos com autoridades dos Três Poderes, incluindo nomes de alto escalão da política e do Judiciário”, afirmou Vieira.
De acordo com o relator, as interações entre os dois indicam que Martha ocupava um papel ativo nas conversas. “Martha não era uma ouvinte passiva. Era a destinatária escolhida por Vorcaro para relatos que não faziam parte de nenhum registro oficial, que não constavam em agendas públicas e que, por seu conteúdo, evidenciam que o investigado concebia essas interações como naturais e rotineiras dentro do seu projeto de influência institucional”, declarou.
O senador também destacou que, nas mensagens analisadas, Vorcaro mencionou nomes como Hugo, Ciro e Alexandre, que podem estar relacionados a encontros com autoridades do Congresso Nacional e do Judiciário. Para Vieira, há indícios de que um grupo chamado “A Turma” funcione como uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e capacidade de infiltração em instituições públicas. “Essa é exatamente a espécie de fenômeno que esta CPI foi criada para investigar”, concluiu.
Além do depoimento de Martha Graeff, a comissão agendou para terça-feira (24) a oitiva de Belline Santana, servidor do Banco Central e ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Ele é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, sob suspeita de atuar como um “consultor privado” para Vorcaro.
Segundo as investigações, Belline teria utilizado sua posição dentro do Banco Central para favorecer a instituição financeira ligada ao empresário, facilitando processos e contornando exigências regulatórias. Em troca, ele teria recebido vantagens indevidas por meio de contratos simulados de consultoria. As suspeitas levaram ao seu afastamento cautelar e à proibição de acesso às instalações e sistemas do órgão.
A agenda da CPI inclui ainda o depoimento do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, também previsto para quarta-feira (25). Ele foi convocado para tratar de possíveis irregularidades no sistema de crédito consignado no estado, após denúncias relacionadas a empréstimos apresentadas em nome de entidades sindicais.


