Defesa de Bolsonaro nega conhecimento prévio sobre vídeo de Eduardo
Advogados afirmam que só souberam da gravação após intimação de Moraes e reforçam cumprimento das medidas da prisão domiciliar
247 - A defesa de Jair Bolsonaro (PL) declarou que não tinha conhecimento prévio sobre a gravação de um vídeo mencionada por seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL), e que tomou ciência do caso apenas após intimação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os advogados, “o conhecimento do fato mencionado somente ocorreu por ocasião da intimação do r. despacho, não havendo ciência prévia da gravação realizada por terceiro durante evento ocorrido no exterior, tampouco de sua posterior divulgação em rede social”.
De acordo com a manifestação enviada ao STF, a defesa também ressaltou que Bolsonaro tem cumprido rigorosamente as condições impostas pela prisão domiciliar. Os advogados afirmaram que o ex-presidente observa “de forma rigorosa, integral e permanente todas as condições fixadas para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária” e reiteraram o compromisso com o “absoluto cumprimento das medidas impostas”.
O pedido de esclarecimentos foi feito por Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (30), após declarações de Eduardo Bolsonaro durante participação em um evento conservador no Texas, nos Estados Unidos, no último fim de semana. O deputado federal cassado, que vive no país desde fevereiro de 2025, apareceu em vídeo segurando um celular e afirmou que estava registrando imagens para mostrar ao pai.
Na gravação, Eduardo declarou: “Vocês sabem por que eu estou gravando este vídeo? Porque eu estou mostrando ele ao meu pai. E vou provar a todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento prendendo de forma injusta o líder desse movimento”.
A fala chamou a atenção do ministro do STF porque, ao conceder o regime domiciliar a Bolsonaro, Moraes estabeleceu uma série de medidas cautelares. Entre elas, está a proibição do uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, seja direta ou indiretamente, além da vedação ao uso de redes sociais e à gravação de vídeos ou áudios.
Diante desse contexto, Moraes apontou que, caso tenha havido comunicação por meio do vídeo citado por Eduardo Bolsonaro, poderia haver descumprimento das regras impostas. Por isso, determinou que a defesa do ex-presidente prestasse esclarecimentos formais sobre o episódio.
Na resposta, os advogados reforçaram que “não há qualquer dado objetivo que indique comunicação atual, direta ou indireta” entre Jair Bolsonaro e seu filho, buscando afastar a hipótese de violação das medidas cautelares determinadas pelo STF.


