Deputado aciona Tribunal de Contas para suspender patrocínio milionário do BRB em sala VIP no aeroporto de Brasília
Banco público da Capital Federal enfrenta grave crise financeira em razão de seu envolvimento no rombo do Master
O vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Ricardo Vale, protocolou uma representação junto ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) solicitando a suspensão imediata, em caráter cautelar, de um contrato de patrocínio firmado pelo Banco de Brasília (BRB) para a instalação de uma sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília.
O acordo prevê investimento de R$ 58,3 milhões ao longo de três anos. Na representação, o parlamentar levanta questionamentos sobre a legalidade, a economicidade e a oportunidade do gasto, especialmente diante do cenário financeiro enfrentado pela instituição.
Segundo Vale, o BRB deveria priorizar medidas de reequilíbrio financeiro antes de assumir novos compromissos de grande porte. “O BRB enfrenta um rombo bilionário e precisa se capitalizar. Não faz sentido assumir novos compromissos milionários enquanto a prioridade deveria ser proteger o dinheiro público e recuperar a saúde financeira da instituição”, afirmou.
Além do pedido de suspensão do contrato, o deputado também solicitou a abertura de auditoria para examinar outros acordos de patrocínio firmados pelo banco. Entre eles, está a parceria com o Clube de Regatas do Flamengo.
Crise do BRB se aprofunda após caso Banco Master
O questionamento ocorre em meio a uma grave crise enfrentada pelo BRB, intensificada pelo envolvimento da instituição com o Banco Master, alvo de investigações por fraude e liquidado pelo Banco Central.
Nos últimos meses, vieram à tona informações de que o BRB manteve forte exposição ao banco privado, incluindo a compra de carteiras de crédito e ativos considerados de alto risco — alguns deles posteriormente apontados como inexistentes ou de baixa liquidez.
Estimativas indicam que o impacto dessas operações pode ultrapassar R$ 5 bilhões em perdas a serem provisionadas, afetando diretamente o balanço da instituição. Em cenários mais amplos, há avaliações de que o rombo total ligado ao caso pode alcançar cifras ainda maiores, chegando à casa de dezenas de bilhões quando consideradas todas as exposições e efeitos indiretos.
A crise de confiança também provocou efeitos no comportamento dos clientes, com registros de saques relevantes e necessidade de venda de ativos pelo banco para reforçar o caixa. Além disso, o Governo do Distrito Federal já admite a possibilidade de aportes de recursos públicos para recompor o capital da instituição.
Outro reflexo do episódio foi a necessidade de o BRB buscar captação bilionária no mercado para reforçar sua liquidez e estabilizar suas operações.
Relação com o Master amplia questionamentos
Entre 2024 e 2025, o BRB chegou a injetar cerca de R$ 16,7 bilhões em operações envolvendo o Banco Master, incluindo aquisição de ativos e tentativas de socorro à instituição privada. Parte relevante dessas operações representava mais de 20% da carteira do banco público, aumentando significativamente seu nível de risco.
A liquidação do Master pelo Banco Central ocorreu após identificação de graves problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades no sistema financeiro, o que agravou ainda mais a situação do BRB.
Debate sobre uso de recursos públicos
Diante desse cenário, o pedido do deputado ao TCDF reforça o debate sobre a destinação de recursos do banco público em ações de marketing e patrocínio enquanto a instituição enfrenta desafios estruturais.
O caso reacende discussões sobre governança, gestão de risco e limites para investimentos institucionais em bancos públicos — especialmente quando há possibilidade de impacto direto sobre os cofres públicos e, consequentemente, sobre os contribuintes.
Agora, caberá ao Tribunal de Contas avaliar se há elementos para suspender o contrato e aprofundar as investigações sobre a política de patrocínios do BRB em meio à sua pior crise recente.

