Gilmar alerta Congresso sobre risco fiscal de pautas-bomba
Ministro do STF diz que leis sem estimativa de impacto podem ferir a Constituição e perder validade
247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que a Corte pode declarar a inconstitucionalidade de propostas legislativas que criem despesas ou reduzam receitas sem estimativa prévia de impacto fiscal. Os relatos foram publicados no Portal Uol.
O magistrado publicou a avaliação na rede social X e cobrou responsabilidade fiscal do Congresso Nacional. O ministro afirmou que a Constituição exige a indicação do custo e da origem dos recursos antes da aprovação de novas despesas.
Na manifestação, Gilmar não citou projetos específicos em análise na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Ele destacou, ainda assim, que o STF já consolidou entendimento sobre o tema. "O STF possui jurisprudência pacífica sobre o tema: a ausência desses estudos prévios gera a inconstitucionalidade da medida legislativa", disse Gilmar.
O ministro também defendeu que o Congresso respeite as regras constitucionais ao votar propostas que envolvam gastos públicos ou renúncia de receitas. "É preciso, pois, ter responsabilidade fiscal e fidelidade à Constituição, evitando a criação de despesas casuísticas em inobservância às regras postas, o que pode gerar a invalidação da medida e, portanto, sua ineficácia."
Preocupação na Fazenda
A declaração de Gilmar ocorreu após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, demonstrar preocupação com as chamadas "pautas-bomba" em discussão no Congresso.
Durigan afirmou que esses projetos podem comprometer a governabilidade do país a partir do próximo mandato. Entre os exemplos citados por ele está a PEC dos templos religiosos.
Segundo o secretário-executivo, novas concessões de benefícios fiscais podem elevar a carga sobre todos os contribuintes. Durigan afirmou que, se o Congresso ampliar esse tipo de renúncia, "todo mundo" pagará 1% a mais no IVA a partir de 2027.
Dívidas rurais também entram no radar
O secretário-executivo da Fazenda também mencionou a proposta de renegociação de dívidas rurais em tramitação no Senado. Segundo Durigan, um texto aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos pode gerar impacto fiscal de até R$ 800 bilhões em dez anos.



