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Governo avalia gestos de Toffoli como passo para distensão do caso Master no STF

Decisões do ministro de liberar depoimentos e admitir envio à primeira instância são vistas como forma de reduzir pressão sobre a Corte

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interpretaram como um movimento de distensionamento as recentes decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no chamado caso Master. A liberação do sigilo dos depoimentos e a admissão da possibilidade de envio de pelo menos partes do processo à primeira instância foram recebidas no Planalto como iniciativas capazes de aliviar a pressão sobre o STF e conter questionamentos que vinham se acumulando em torno da atuação do magistrado, relata o jornal O Globo.

De acordo com integrantes da equipe presidencial, as medidas adotadas por Toffoli ajudam a reduzir o desgaste institucional gerado pelo caso e sinalizam uma condução mais alinhada aos procedimentos tradicionais do Judiciário. Para esses interlocutores, a expectativa é que o ministro adote um caminho considerado mais ortodoxo, justamente para evitar novas críticas e preservar a imagem da Corte em um processo que envolve decisões técnicas sensíveis.

O próprio presidente Lula (PT) vinha demonstrando desconforto com a forma como o Supremo tratava o episódio da liquidação do Banco Master, especialmente no que dizia respeito à atuação de Toffoli. Na avaliação do chefe do Executivo, iniciativas que colocassem em dúvida decisões de caráter técnico poderiam gerar instabilidade e afetar a confiança nas instituições.

Nesse contexto, ganhou relevância um encontro ocorrido no início de dezembro, logo após o ministro decretar sigilo absoluto sobre o processo. Lula almoçou com Toffoli na Granja do Torto, em uma reunião que não constou da agenda oficial e contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao final da conversa, o presidente teria dito ao ministro do STF: “Você tem agora a chance de reescrever a sua biografia”.

Para membros do governo, a posterior decisão de Toffoli de liberar os depoimentos e admitir o envio do caso à primeira instância foi interpretada como um gesto que contribui para esfriar o ambiente no Supremo. A leitura interna é de que essas ações ajudam a retirar o foco do STF e do próprio ministro, abrindo espaço para que o caso siga seu curso fora da Corte, com menor carga política.

A divulgação dos vídeos dos depoimentos reforçou a percepção de que o debate central envolve divergências técnicas e versões conflitantes entre os envolvidos, o que, na visão do Planalto, reforça a adequação de uma tramitação em instâncias inferiores. Assim, integrantes do governo avaliam que os movimentos recentes de Toffoli cumprem um papel relevante na redução das tensões e na tentativa de normalizar a condução do caso no âmbito do Judiciário.

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