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Governo negocia transição para fim da escala 6x1

Governo avalia reduzir jornada de 44 para 40 horas com implementação gradual em até três anos

Câmara dos Deputados e um ato no Brasil contra a jornada 6x1 (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados I Agência Brasil)
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247 - O governo federal negocia uma regra de transição para avançar com o fim da escala 6x1 e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, em um modelo que pode levar até três anos ou seguir um cronograma escalonado até 2029. A proposta, em análise no Congresso, busca abrir espaço para uma semana com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. Os relatos foram publicados nesta quarta-feira (20) pela Sputnik. 

Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que a equipe do presidente Lula trabalha para construir um formato gradual capaz de reduzir resistências no Congresso e no setor empresarial. A negociação ganhou força como caminho para viabilizar a votação da proposta que altera a organização da jornada em setores que hoje adotam o regime de seis dias de trabalho para um dia de folga.

O debate envolve o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), lideranças do governo, parlamentares e representantes da área econômica. O governo ainda não fechou o prazo final da transição, mas uma das alternativas prevê implementação em até três anos.

Regra gradual busca destravar votação

A transição entrou no centro das negociações porque o Planalto avalia que uma mudança imediata poderia ampliar a resistência política à proposta. O governo tenta construir um texto com maior capacidade de aprovação e busca preservar o objetivo central: diminuir a carga horária semanal sem retirar o descanso remunerado.

Entre os formatos em análise, um prevê corte inicial de duas horas no primeiro ano de vigência da medida. Depois disso, o texto aplicaria novas reduções de uma hora nos anos seguintes, até chegar à jornada de 40 horas semanais.

Outra hipótese em discussão prevê uma diminuição parcial já nos primeiros meses após a aprovação da PEC. Nesse desenho, o Congresso fixaria etapas de redução até 2029, com ajuste progressivo da jornada.

Planalto mira acordo com Câmara

O governo vê a negociação com Hugo Motta como peça essencial para organizar o calendário de votação. A proposta precisa de articulação com líderes partidários e bancadas que cobram previsibilidade para empresas, trabalhadores e setores da economia.

A equipe de Lula também avalia que a regra gradual pode reduzir a pressão de grupos empresariais contrários à mudança. Ao mesmo tempo, o Planalto tenta manter a sinalização política de apoio à redução da jornada, uma pauta que ganhou forte mobilização social nos últimos meses.

Escala 6x1 mobiliza Congresso e trabalhadores

A escala 6x1 predomina em áreas como comércio, serviços e atividades que exigem funcionamento contínuo. A mudança para uma jornada de 40 horas semanais abriria caminho para um modelo 5x2, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso.

A discussão no Congresso concentra diferentes preocupações. Parlamentares governistas defendem que a redução da jornada melhora a qualidade de vida dos trabalhadores. Setores empresariais cobram uma transição mais longa e regras que diminuam impactos sobre custos e organização produtiva.

Com a possibilidade de um calendário gradual, o governo tenta unir as duas pontas da negociação: manter a promessa de reduzir a carga horária e ampliar as chances de aprovação da proposta no Congresso Nacional.

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