Ibaneis nega "qualquer ingerência" em negócios entre Master e BRB
Defesa afirma que ex-governador não acompanhou nem interferiu nas operações entre o banco Master e o BRB
247 - A defesa do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que ele não teve participação nem interferiu nas operações realizadas entre o banco Master e o Banco de Brasília (BRB), destacando que a condução dos negócios ficou sob responsabilidade técnica da instituição financeira.
A manifestação ocorre após a divulgação de elementos presentes na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a prisão preventiva do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal.
Em nota, os advogados sustentam que o conteúdo das conversas citadas na decisão reforça a versão apresentada desde o início da apuração. “A defesa do ex-governador Ibaneis Rocha esclarece que o diálogo travado entre Daniel Vorcaro e o então Presidente do BRB apenas corrobora, de forma inequívoca, o que foi apontado, desde o início, pela presente defesa”, afirmaram.
O texto acrescenta que o ex-governador não participou diretamente das operações financeiras. “O ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras, tendo assegurado plena autonomia decisória à área técnica do BRB”, diz a nota.
Ainda segundo a defesa, a eventual necessidade de elaboração de uma nota técnica para esclarecimentos internos indicaria justamente a ausência de envolvimento direto do então chefe do Executivo. “Caso houvesse participação direta ou acompanhamento próximo por parte do então Chefe do Poder Executivo nas referidas operações, seria manifestamente desnecessária a solicitação de elaboração de nota técnica destinada ao esclarecimento dos fatos para conhecimento próprio do governador”, acrescenta o documento.
A nota é assinada pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay Freiria, Liliane de Carvalho Gabriel, Álvaro Chaves e Ananda França de Almeida.
Decisão do STF e investigação
A manifestação da defesa ocorre após a decisão do ministro André Mendonça trazer à tona mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e o empresário Daniel Vorcaro, no contexto da chamada “Operação Compliance Zero”.
Segundo o documento, as conversas indicariam proximidade entre os investigados e tratariam de estratégias relacionadas a operações envolvendo o BRB. Em um dos trechos citados, o então presidente do banco afirma: “O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”.
Para o ministro, o conteúdo das mensagens sugere articulação entre os envolvidos e um contexto mais amplo na condução dos negócios analisados. As trocas também mostram discussões sobre lançamento de operações, estruturação de negócios e definição de estratégias.
Em outro momento, Paulo Henrique Costa manifesta entusiasmo com os planos discutidos: “A cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir”.
A decisão aponta que a frequência e o teor das conversas indicariam uma relação de coordenação que extrapola contatos institucionais formais, o que embasa a investigação em curso.


