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Ibaneis nega temor com delações no caso Banco Master

Ex-governador do DF afirma que nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro e diz estar tranquilo sobre colaboração de ex-presidente do BRB

Ibaneis nega temor com delações no caso Banco Master (Foto: Agência Brasil | Divulgação )
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247 - O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que não teme uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no âmbito das investigações sobre a compra de créditos considerados problemáticos pelo Banco de Brasília (BRB).

As informações são do jornal Estado de S.Paulo. Segundo a publicação, Ibaneis disse que jamais recebeu dinheiro de Vorcaro e relatou apenas um episódio em que o banqueiro teria pago duas garrafas de vinho durante um jantar na Suíça.

“Nunca tratei de dinheiro com o Vorcaro, nunca recebi um real dele. A única coisa que ele me pagou foram duas garrafas de vinho em um jantar na Suíça que tinha um monte de gente, há mais de um ano. Eu pedi um vinho diferente do que estavam servindo e ele pagou”, declarou Ibaneis à coluna, na noite de terça-feira, 12, ao deixar a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

A declaração ocorre em meio às tratativas para uma colaboração premiada de Vorcaro, cuja defesa apresentou anexos do acordo a investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. O conteúdo deve ser confrontado com provas já reunidas pelas autoridades.

As investigações apontam que o BRB comprou R$ 12 bilhões em créditos considerados “podres” do Banco Master. O caso colocou sob pressão a relação entre o banco estatal do Distrito Federal, comandado por Paulo Henrique Costa até seu afastamento judicial, e o grupo financeiro liderado por Vorcaro.

Ibaneis, que renunciou ao governo distrital em março para disputar uma vaga no Senado, afirmou que não teve envolvimento em tratativas financeiras com o dono do Master. Ao comentar o episódio dos vinhos, ele fez referência ao Brazil Economic Forum, realizado em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025.

O evento foi promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e teve o BRB entre seus patrocinadores. A programação contou com a presença de autoridades e incluiu palestras de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa, então presidente do banco estatal.

Costa, indicado ao comando do BRB por Ibaneis, permaneceu quase sete anos à frente da instituição, até ser afastado pela Justiça no fim do ano passado. Ele também está preso no âmbito do caso Master e, segundo a reportagem, negocia uma delação premiada.

O ex-governador afirmou que tampouco se sente ameaçado por uma eventual colaboração de Paulo Henrique Costa. “A delação do Paulo Henrique Costa não me preocupa muito. Nunca tratei nada financeiro com ele”, disse Ibaneis Rocha.

Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente do BRB teria recebido R$ 146 milhões em propinas de Daniel Vorcaro por meio da transferência de seis imóveis de luxo. A defesa de Costa nega as acusações.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Paulo Henrique Costa mencionou a Vorcaro que Ibaneis teria solicitado informações para embasar uma defesa pública da operação envolvendo o BRB e o Banco Master. A conversa sugere que o então governador acompanhava aspectos do negócio.

Em uma das mensagens, Costa escreveu a Vorcaro: “Obrigado pela conversa de hoje. A cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir. Além disso, dou muito valor ao alinhamento pessoal. E acho que estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil. Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira. O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”.

A possível delação de Vorcaro é considerada uma frente sensível da investigação, pois pode detalhar bastidores da relação entre o Banco Master, o BRB e agentes públicos envolvidos direta ou indiretamente nas negociações. A defesa do banqueiro entregou resumos de fatos e indicações de provas, que ainda serão avaliados pelas autoridades.

O caso também ampliou o escrutínio sobre a atuação do BRB na gestão de Paulo Henrique Costa. A compra dos créditos do Banco Master, segundo os investigadores, está no centro da apuração sobre supostas irregularidades financeiras.

Ibaneis, por sua vez, sustenta que não participou de tratativas financeiras e afirma estar tranquilo diante das negociações de colaboração premiada. As investigações seguem sob análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

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