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Investigação da PF aponta que Daniel Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões em conta do pai

De acordo com investigadores, a movimentação de recursos teria ocorrido mesmo após o banqueiro ter sido colocado em liberdade

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Federal afirmou que o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. As informações constam em documentos da investigação e foram apresentadas pela PF em um pedido de prisão preventiva encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (4) pelo Portal G1, o posicionamento da PF apareceu formalmente no requerimento enviado ao STF no âmbito das investigações sobre as operações financeiras relacionadas ao Banco Master.

Os investigadores afirmam que a movimentação de recursos teria ocorrido mesmo após Vorcaro ter sido colocado em liberdade no final de 2025. O banqueiro havia sido preso em novembro do ano passado, mas foi solto dias depois mediante uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com a apuração, medidas de bloqueio financeiro adotadas durante a investigação permitiram identificar um montante de R$ 2.245.235.850,24. O valor teria sido localizado em uma conta atribuída a Henrique Moura Vorcaro e mantida na CBSF DTVM, instituição conhecida no mercado financeiro como REAG.

Os investigadores sustentam que a estrutura financeira teria sido utilizada para ocultar recursos de credores e de pessoas afetadas pelo colapso financeiro associado ao Banco Master. No documento enviado ao STF, a PF faz uma relação direta entre a suposta ocultação dos valores e os prejuízos provocados no sistema financeiro.

Segundo a corporação, o impacto do caso teria provocado um rombo estimado em quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro, montante que atualmente vem sendo coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No pedido de prisão, a PF registrou a seguinte avaliação sobre a conduta atribuída ao banqueiro:

"Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade".

O dono do Banco Master é investigado por suspeitas de fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master e voltou a ser preso nesta quarta-feira (4), por determinação do ministro André Mendonça. O magistrado assumiu a relatoria das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) após a saída de Dias Toffoli do caso.

Defesa se pronuncia

A defesa de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro, contestou as informações apresentadas no processo. Em nota, os advogados afirmaram que a conta citada pela investigação não pertence ao cliente.

No comunicado, a defesa declarou: "são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade".Os advogados também afirmaram desconhecer a existência da conta e dos valores apontados na investigação.

No texto divulgado, acrescentaram: "A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas".

O pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Federal segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações relacionadas às movimentações financeiras atribuídas ao controlador do Banco Master e aos impactos do caso no sistema financeiro brasileiro.

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