Lindbergh aciona PGR e PF contra Roberto Campos Neto por omissão no caso do Banco Master
A deputado pediu a responsabilização "de quem ocupava sua chefia máxima diante do maior escândalo do sistema financeiro brasileiro: o Bolsomaster”
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, protocolou nova notícia de fato junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), além de representação à Comissão de Ética Pública da Presidência da República, para pedir a apuração da conduta do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. As peças apontam fatos supervenientes surgidos após a manifestação de 5 de março de 2026, e sustentam que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Febraban teriam encaminhado alertas escritos sobre a escalada das vendas de CDBs arriscados do Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes financeiras com prejuízo estimado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões.
“O que está em jogo é a credibilidade do sistema de supervisão bancária e a responsabilidade de quem ocupava sua chefia máxima diante do maior escândalo do sistema financeiro brasileiro: o Bolsomaster”, afirmou Lindbergh.
Preso atualmente após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista, Jair Bolsonaro (PL) foi quem indicou Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central. A gestão do economista foi de 2019 a 2025.
De acordo com o parlamentar do PT, no contexto atual são necessárias “diligências investigativas cabíveis para apurar eventual prática de prevaricação, retardamento ou omissão indevida de ato de ofício, condescendência criminosa, infrações funcionais como improbidade administrativa, erro grosseiro ou quaisquer outros ilícitos que se revelem no curso da instrução”.
“Do ponto de vista político-jurídico, o caso muda de patamar, pois pretende apurar se o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teve ciência formal, objetiva e documentável de um risco prudencial relevante e, ainda assim, deixou de agir com a urgência e a proporcionalidade exigidas pelo cargo”, afirmou o deputado.
“Se confirmados os alertas, a controvérsia deixa o terreno da mera falha técnica e passa a envolver possível omissão qualificada, com repercussões penais, administrativas e éticas. Os documentos pedem preservação imediata de provas, acesso a ofícios, e-mails, agendas, atas, registros internos e à trilha completa de tramitação dos alertas dentro do Banco Central, além da oitiva dos envolvidos”.

Entenda
Uma reportagem publicada em 20 de novembro de 2025 pela Bloomberg News apontou que, segundo algumas fontes com conhecimento direto do assunto, alertas chegaram ao Banco Central durante anos sobre o crescimento acelerado e a baixa transparência dos ativos do Banco Master — instituição liquidada nesta semana em meio a suspeitas de fraude.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável pelo seguro de depósitos no país, encaminhou repetidas correspondências de advertência ao Banco Central. Executivos das maiores instituições financeiras brasileiras, que figuram entre os principais contribuintes do FGC, também buscaram a autoridade monetária para manifestar inquietação.
Executivos e banqueiros falaram diretamente com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele deixou o cargo em janeiro e passou a integrar o conselho do Nubank.
Em 18 de novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília (DF).


