Lula deve tirar Jaques Wagner da liderança do governo no Senado
Situação do senador ficou insustentável após operação da PF. Camilo Santana é cotado para o cargo
247 - O presidente Lula (PT) deve discutir com o senador Jaques Wagner (PT-BA) sua permanência na liderança do governo no Senado, em meio ao desgaste provocado pela derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pela operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (18), ligada a suspeitas no caso Master, informa a CNN Brasil.
A conversa já era prevista depois da derrota de Messias no Senado, mas ganhou caráter mais urgente após a ação da PF contra o parlamentar. Ex-governador da Bahia e um dos nomes mais próximos de Lula no Congresso, Jaques Wagner passou a ser alvo de críticas dentro do governo por não ter antecipado ao presidente o risco de derrota da indicação ao Supremo.
Além disso, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o senador vinha demonstrando proximidade com políticos de oposição em um momento de maior tensão entre o Executivo e o Congresso. O episódio ampliou a pressão sobre sua atuação como líder do governo no Senado, cargo considerado estratégico para a articulação política da gestão Lula.
Lula deve cobrar explicações de Jaques Wagner
A avaliação no governo é que Lula deve pedir explicações a Jaques Wagner sobre as suspeitas mencionadas no contexto da investigação envolvendo o Banco Master. A orientação, segundo assessores, é evitar que o caso seja associado diretamente ao presidente ou contamine a imagem do governo.
Nas últimas semanas, Wagner já vinha acumulando atritos com a articulação política do Planalto diante de derrotas impostas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A relação entre o governo e a cúpula da Casa se deteriorou após reveses considerados relevantes para a agenda do Executivo.
Governo avalia necessidade de novo líder no Senado
Outro ponto considerado pelo Planalto é a situação eleitoral de Jaques Wagner. Como o senador deve disputar a reeleição na Bahia, integrantes do governo entendem que ele poderá concentrar seus esforços na campanha no estado, enquanto o Executivo precisaria de um líder com presença mais constante em Brasília.
Entre os nomes citados para uma eventual substituição está o do ex-governador do Ceará Camilo Santana (PT), que mantém proximidade com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT). A possível mudança, no entanto, dependerá da conversa entre Lula e Wagner e da avaliação política sobre os próximos passos no Senado.
Planalto quer defesa individual no caso Master
Dentro do governo, a orientação é que cada aliado citado ou alvo de suspeitas no caso Master apresente sua própria defesa. A estratégia busca impedir que o episódio se transforme em uma crise mais ampla para o Palácio do Planalto.
A prioridade, segundo a avaliação de assessores, é conter o impacto político do caso e preservar a imagem do presidente, em um momento de dificuldades na relação com o Senado e de necessidade de recompor a base governista para votações consideradas importantes.



