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Mendonça aguarda pareceres da PF e PGR antes de definir situação de Vorcaro

Ministro do STF avalia se Daniel Vorcaro permanecerá sob custódia da PF ou será transferido para a Papuda

Ministro André Mendonça - Daniel Vorcaro (Foto: Victor Piemonte/STF / Banco Master/Divulgação)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deve aguardar manifestações formais da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a situação do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações são do jornal O Globo.

A análise envolve dois pedidos distintos. A PF solicitou a transferência de Vorcaro para o presídio da Papuda, em Brasília (DF), enquanto a defesa pediu a conversão da prisão em domiciliar após a entrega de material relacionado à proposta de colaboração premiada apresentada aos investigadores.

Segundo interlocutores do ministro, Mendonça pretende avaliar os dois pleitos apenas após os posicionamentos oficiais dos órgãos envolvidos. Atualmente, Vorcaro está detido nas dependências da superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

O pedido de transferência para a Papuda foi encaminhado pela PF em 24 de abril, antes da apresentação da proposta de delação premiada entregue nesta semana à PF e à PGR. De acordo com fontes ligadas às investigações, a solicitação refletia insatisfação dos investigadores com a demora na entrega dos anexos da colaboração.

Investigado por fraudes de R$ 12 bilhões

Daniel Vorcaro é investigado em um esquema de fraudes estimado em R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master. O empresário foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai. A Polícia Federal interpretou o episódio como tentativa de fuga.

Após ser solto semanas depois, Vorcaro voltou a ser preso em março deste ano, já sob relatoria de André Mendonça. Na ocasião, o ministro acolheu argumentos da PF de que o empresário atuaria como líder de uma organização criminosa voltada ao monitoramento e à intimidação de pessoas que contrariavam interesses do banco.

Negociação de colaboração premiada

A defesa nega irregularidades, mas iniciou negociações para um acordo de colaboração premiada. A entrega do material à PF e à PGR reacendeu a discussão sobre as condições de custódia do empresário.

Segundo a apuração, investigadores consideraram "insuficientes" as informações apresentadas inicialmente por Vorcaro. A PF também indicou que não pretende firmar acordo caso o empresário não apresente dados inéditos sobre as irregularidades envolvendo o Banco Master.

Na quinta-feira (7), o gabinete de André Mendonça divulgou nota afirmando que o ministro não teve acesso ao conteúdo da proposta de colaboração premiada entregue pela defesa de Vorcaro. Segundo o comunicado, "quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento".

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