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Operação da PF contra Ciro Nogueira aumenta pressão sobre delação de Vorcaro

Polícia Federal quer provas robustas para validar acordo de delação do dono do Banco Master no STF

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira (Foto: Reprodução | Agência Brasil )

247 - A operação da Polícia Federal (PF) que teve o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), como alvo é vista por investigadores e autoridades ligadas ao caso como um movimento de pressão adicional sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A avaliação é de que a delação premiada do ex-banqueiro precisará apresentar fatos inéditos e provas robustas para avançar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Folha de São Paulo, pessoas ligadas às investigações ressaltam que a PF considera que já conseguiu avançar significativamente nas apurações relacionadas ao Banco Master sem depender diretamente de elementos fornecidos por Vorcaro.

Operação contra Ciro amplia pressão sobre Vorcaro

Daniel Vorcaro foi transferido em 19 de março do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A mudança ocorreu para permitir melhores condições de negociação da delação, enquanto ele permanece em prisão preventiva por tempo indeterminado.

Desde então, a Operação Compliance Zero entrou em novas fases. Em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Já nesta quinta-feira (7), a investigação chegou ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL).

Nos bastidores da investigação, essa etapa é considerada a mais incisiva até agora contra integrantes da classe política.

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

PF quer provas robustas para validar delação

Investigadores avaliam que as ações recentes demonstram que Vorcaro precisará apresentar provas consistentes capazes de atingir novos suspeitos, além de colaborar para a devolução de bilhões de reais e o pagamento de multas.

Segundo informações divulgadas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, o ministro do STF André Mendonça teria afirmado a interlocutores que não pretende homologar a delação nos moldes atualmente apresentados pela defesa do empresário.

Em nota, o gabinete do ministro declarou que Mendonça possui posição “consistente e inequívoca” sobre acordos de colaboração premiada. O comunicado afirma que “a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado”, mas ressalta que, “para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva”. 

A nota acrescenta ainda que “as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”.

STF ainda não analisou conteúdo da proposta

O gabinete de André Mendonça também informou que o ministro ainda não teve acesso ao material entregue pela defesa de Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). “Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”, diz o comunicado.

Outro ponto destacado por pessoas próximas ao caso, de acordo com a reportagem, é que a operação deflagrada nesta quinta-feira não foi baseada em depoimentos ou colaborações de investigados. Para investigadores, isso demonstra que a PF já possui elementos suficientes para sustentar o avanço das apurações.

Defesa entrega primeiros anexos à PF e à PGR

Na semana passada, a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça a análise de uma possível nova transferência de Vorcaro para o sistema penitenciário federal. Segundo fontes ligadas à investigação, o pedido ocorreu porque o empresário estaria demorando para apresentar o material prometido durante as negociações da delação.

Uma primeira versão do conteúdo foi entregue pela defesa de Vorcaro na quarta-feira (7) à PF e à PGR. O material reúne anexos sobre diferentes episódios de supostas irregularidades envolvendo o empresário e outras pessoas investigadas. Os documentos incluem detalhes dos casos, nomes de envolvidos e provas apresentadas pela defesa.

Investigadores descartam perdão judicial

A entrega do material representa apenas a etapa inicial da negociação. A defesa de Vorcaro e os investigadores ainda irão analisar o conteúdo antes de discutir possíveis benefícios, como redução de pena ou definição do regime prisional.

Até o momento, o entendimento de autoridades envolvidas é de que não há perspectiva de concessão de perdão judicial ao empresário.

Investigadores também aguardam que Vorcaro apresente detalhes mais amplos sobre os esquemas investigados e indique caminhos para o ressarcimento dos prejuízos causados.

Pessoas próximas ao caso relataram que houve resistência inicial do empresário em envolver magistrados do STF nas revelações, o que gerou desconforto entre investigadores. Posteriormente, advogados de Vorcaro afirmaram que ele “não pouparia ninguém”, permitindo o avanço das negociações preliminares da delação.

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