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'Motta terá que apoiar Lula para se reeleger', diz líder do PT na Câmara

Deputado Pedro Uczai afirma que apoio ao presidente Lula pode ser decisivo para Hugo Motta manter mandato na Paraíba, estado de forte base lulista

Pedro Uczai (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

247 - A aproximação das eleições tem intensificado os sinais de alinhamento político no Congresso Nacional, e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), avalia que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fortalecer sua própria tentativa de reeleição como deputado na Paraíba.

A avaliação foi feita em entrevista ao jornal O Globo, na qual Uczai destacou que o cenário político local favorece Lula e pode influenciar diretamente as estratégias eleitorais de Motta. Segundo o parlamentar, “se ele quer se reeleger, é bom fazer campanha para o Lula mesmo. A Paraíba é muito forte com o presidente Lula. É remar a favor da maré”.

De acordo com Uczai, Hugo Motta já tem demonstrado sintonia com o Palácio do Planalto ao priorizar pautas de interesse do governo na Câmara, como a discussão sobre o fim da jornada de trabalho 6x1 e a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos. Esse alinhamento, segundo ele, tende a se tornar mais explícito ao longo do processo eleitoral, ainda que o presidente da Câmara precise manter certa independência institucional.

“Ele precisa manter essa independência, até pelo papel institucional. Mas é um movimento político que está colocado. Ele está num estado muito lulista”, afirmou o líder petista.

A movimentação política também envolve negociações locais. Motta busca apoio do PT para a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, prefeito de Patos, ao Senado. No entanto, o partido também avalia uma possível aliança com o senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), que tentará a reeleição.

Uczai também comentou o cenário nacional e a reorganização da direita, minimizando impactos sobre a disputa presidencial. “Eu acredito que não. Ter na democracia outras alternativas para a sociedade debater e discutir é importante. Não temos que escolher adversário, temos que mostrar o que fizemos”, declarou.

O deputado defendeu que a campanha do PT deve focar na comparação entre os governos e na valorização das políticas públicas. “O que vai definir a eleição do presidente Lula não é quem vai disputar com ele, é conseguir mostrar o que foi feito, comparar com a herança do governo anterior em todas as áreas”, disse.

Segundo ele, o partido pretende estruturar o debate eleitoral em três eixos principais: “Entre barbárie e civilização, a gente tem que defender uma sociedade civilizada; entre democracia e autoritarismo, tem que defender a democracia; e o terceiro ponto é um projeto de país”.

Uczai também indicou que o partido pretende intensificar o enfrentamento à extrema direita e ampliar a comunicação com a população sobre temas concretos. “Nós não temos receio nenhum de fazer o debate que mexe com as pessoas, como de Imposto de Renda, como das políticas sociais”, afirmou.

Ao comentar o crescimento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o parlamentar reconheceu a necessidade de reação mais rápida do partido. “Eu acho que nós já deviamos ter começado a desconstruir o Flávio Bolsonaro”, disse, acrescentando que o enfrentamento deve ser conduzido principalmente pela bancada do PT no Congresso.

Sobre eventuais desgastes envolvendo investigações e denúncias, Uczai afirmou que há preocupação natural, mas destacou que os casos têm origem em gestões anteriores. “Sempre é possível desgaste porque é governo. Mesmo que não tenha ninguém envolvido, está no ambiente do governo atual”, declarou.

No campo legislativo, o líder petista apontou como prioridades a redução da jornada de trabalho, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos e o avanço de políticas de segurança pública. Ele também defendeu a criação de novas estruturas no Ministério da Justiça voltadas ao combate ao crime organizado e à violência contra as mulheres.

Por fim, ao analisar o cenário eleitoral mais amplo, Uczai avaliou que candidaturas da direita podem fragmentar esse campo político, enquanto o centro tende a se aproximar de Lula, especialmente em um eventual segundo turno.

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