Mulheres chegam a 45% dos aprovados no concurso do Itamaraty em resultado histórico
Ação afirmativa adotada pelo governo federal amplia presença feminina na diplomacia
247 – O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) de 2026 registrou um marco histórico para a presença feminina no Serviço Exterior Brasileiro: mulheres representam 45% das pessoas aprovadas, percentual muito acima da média histórica de 21%. O resultado reforça o impacto das ações afirmativas implementadas pelo governo federal para enfrentar desigualdades de gênero no acesso à diplomacia brasileira.
As informações foram divulgadas pela Agência Gov, a partir de dados do Ministério das Relações Exteriores, no contexto do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, celebrado em 24 de junho. A data, instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 2022, reconhece a contribuição das mulheres para a paz, a cooperação internacional e o fortalecimento das relações entre os países.
Recorde de aprovação feminina no CACD
De acordo com resultado publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24), das 60 vagas do concurso de 2026, 27 serão ocupadas por mulheres. O índice de 45% representa um avanço expressivo em relação ao histórico da carreira diplomática brasileira, marcada por forte sub-representação feminina.
O crescimento ocorre pelo terceiro ano consecutivo desde a implementação, pelo Itamaraty, de uma ação afirmativa voltada à ampliação da presença de mulheres no CACD. A medida foi adotada em 2024, no âmbito do Programa Federal de Ações Afirmativas, e prevê a convocação de um número adicional de candidatas aprovadas na primeira fase para participar das provas discursivas da segunda fase.
Do total de 27 mulheres aprovadas em 2026, 11 foram beneficiadas diretamente pela ação afirmativa. Entre as aprovadas, há ainda oito mulheres negras, uma delas quilombola, e três mulheres com deficiência, o que amplia também a diversidade racial e social no ingresso à carreira diplomática.
Ação afirmativa enfrenta desigualdade histórica
A medida busca corrigir uma distorção acumulada ao longo de duas décadas. Entre 2003 e 2023, as mulheres representaram cerca de 40% das pessoas inscritas no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, mas corresponderam a apenas 26% das aprovadas no período.
Esse descompasso evidenciava barreiras estruturais no acesso das mulheres ao Serviço Exterior Brasileiro. Com a política de ação afirmativa, o governo federal afirma buscar condições mais equilibradas de disputa e maior diversidade na representação internacional do país.
O resultado de 2026 indica que a iniciativa tem produzido efeitos concretos. Ao elevar a presença feminina entre os aprovados, o Itamaraty avança na construção de uma diplomacia mais representativa da sociedade brasileira.
Mulheres na diplomacia e representação internacional
A presença das mulheres na diplomacia brasileira é marcada por conquistas importantes, mas também por desafios persistentes. Ao longo das últimas décadas, diplomatas brasileiras têm contribuído para a formulação da política externa do país, a promoção dos direitos humanos e o fortalecimento da cooperação internacional em diferentes áreas.
Para a ONU, a participação plena e igualitária das mulheres em todos os níveis da diplomacia é essencial para fortalecer a democracia, a paz e o desenvolvimento sustentável. A ampliação da presença feminina em espaços de negociação internacional também contribui para incorporar diferentes perspectivas à formulação de políticas externas e à construção de soluções para desafios globais.
O Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia foi criado justamente para ampliar a visibilidade da atuação feminina nesses espaços e incentivar políticas voltadas à igualdade de gênero em cargos de representação internacional.
Mais mulheres nos espaços de poder
A baixa representatividade feminina não se limita à diplomacia. O Brasil ainda enfrenta desafios para ampliar a presença de mulheres nos parlamentos, governos, partidos, instituições públicas e demais espaços de liderança.
Nesse contexto, o resultado recorde no concurso do Itamaraty ganha significado político e institucional mais amplo. A ampliação da presença feminina nas relações internacionais integra uma agenda de fortalecimento da democracia, de promoção da igualdade de oportunidades e de combate a barreiras históricas de exclusão.
Mais mulheres em posições de liderança significam instituições mais representativas, democracias mais fortes e políticas públicas mais conectadas à diversidade da sociedade brasileira. O avanço da igualdade de gênero na diplomacia, portanto, representa um passo relevante para a construção de um país mais inclusivo, democrático e comprometido com os direitos das mulheres.



