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Itamaraty reage a inscrição de Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifaço nos EUA: "traidores da pátria"

Senador, que já defendeu sanções contra autoridades brasileiras, participará de audiência sobre possível tarifa de 25% a produtos brasileiros

Flávio Bolsonaro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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247 - O Ministério das Relações Exteriores divulgou nesta quarta-feira (24) nota oficial com fortes críticas à decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de participar de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a investigação comercial que poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A audiência integra os procedimentos da chamada Seção 301, conduzida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e antecede a decisão final das autoridades estadunidenses sobre uma eventual adoção de novas barreiras comerciais contra o Brasil. O governo brasileiro decidiu não enviar representantes para participar da sessão.

Itamaraty eleva o tom contra senador

Em nota divulgada nas redes sociais, o Itamaraty associou a iniciativa do parlamentar a uma tentativa de interferência externa em assuntos internos do país e utilizou uma das expressões mais duras já adotadas pelo órgão em manifestações públicas recentes.

“Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira”, afirmou o ministério.

A pasta também destacou que audiências públicas realizadas no âmbito da Seção 301 costumam ser direcionadas ao setor privado e à sociedade civil, sem participação formal de governos estrangeiros.

“As audiências públicas da Seção 301 nos Estados Unidos são espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. Outros importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como China e União Europeia, tampouco enviam representantes às audiências públicas”, acrescentou a nota.

Governo afirma atuar pela via diplomática

Segundo o Itamaraty, o Brasil acompanha a investigação desde sua abertura, em julho de 2025, mantendo interlocução direta com o governo dos EUA por meio dos canais diplomáticos oficiais.

A chancelaria informou que apresentou duas defesas escritas às autoridades dos Estados Unidos para sustentar que as políticas adotadas pelo Brasil não provocam prejuízos ao comércio bilateral.

“Apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos e realizou reunião de consultas governamentais com os EUA, em Washington, com delegação de alto nível”, informou o ministério.

No trecho final da nota, o Itamaraty voltou a endurecer o discurso. “Os traidores da pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”, concluiu o ministério.

Disputa política em torno do tarifaço

O tema das tarifas impostas ou estudadas pelos Estados Unidos tornou-se um dos principais pontos de confronto político entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o grupo liderado por Flávio Bolsonaro.

Setores governistas atribuem as sanções comerciais à atuação da família Bolsonaro junto a autoridades estadunidenses. Desde o anúncio das medidas, aliados de Lula passaram a utilizar o apelido “Tariflávio” para associar o senador ao endurecimento das relações comerciais entre os dois países.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro e seus apoiadores utilizam o episódio para criticar a condução da política externa brasileira e destacar a interlocução mantida com setores do governo dos EUA.


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